Thomas Sowell – Os Intelectuais E A Sociedade

Provavelmente nunca houve outro período na história no qual os intelectuais tenham desempenhado um papel tão extenso na sociedade. Quando aqueles que são responsáveis pela geração de ideias, os intelectuais propriamente falando, estão cercados por uma espessa penumbra de auxiliares – jornalistas, professores, funcionários públicos, burocratas -, os quais disseminarão suas ideias, podemos, então, esperar que a influência dos intelectuais possa tomar, no curso da evolução social, proporções consideráveis, ou mesmo cruciais.
Essa influência depende, é claro, das circunstâncias adjacentes, incluindo os níveis de liberdade para a propagação de suas ideias, em vez de se tornarem meros instrumentos de propaganda, como acontece nos países totalitários. Certamente, não haveria muito valor em se estudar as ideias expressas por proeminentes escritores durante regimes ditatoriais e totalitários, uma vez que suas ideias, em geral- apesar da existência de diversas exceções -, eram simplesmente as ideias permitidas ou defendidas pelo sistema. Portanto, o estudo sobre a influência dos intelectuais é, aqui, um estudo centrado nos lugares onde os intelectuais gozam (ou gozaram) de grande liberdade para exercer seu prestígio, ou seja, nas modernas nações democráticas.
Por diferentes razões este estudo sobre os padrões da atividade dos intelectuais dá pouca atenção a gigantes intelectuais, como Milton Friedman, assim como a outros excelentes intelectuais de menor importância, simplesmente porque o professor Friedman foi, para sua época e de diversas formas, um intelectual muito atípico, tanto do ponto de vista da erudição de sua obra, que o levou a receber um prêmio Nobel, quanto pelo seu trabalho como analista popular das questões de sua época . Uma história intelectual geral “equilibrada” de nossa época teria que dar ao professor Friedman muito mais atenção do que o estudo aqui proposto, o qual se foca, contudo, em partes gerais, em relação aos quais ele se faria uma exceção notável.
Aleksandr Solzhenitsyn foi outra figura notável na história intelectual moral e política de seu período, o qual também se apresentava como uma figura muito atípica aos padrões intelectuais de nossa época, para que fosse incluído neste estudo sobre os padrões gerais da profissão.

Thomas Sowell é um economista norte-americano, crítico social, filósofo político e autor liberal conservador. Nasceu na Carolina do Norte, mas cresceu em Harlem, Nova Iorque. Largou a universidade e foi servir na Marinha dos Estados Unidos durante a Guerra da Coréia. Graduou-se em Economia na Universidade de Harvard em 1958 e depois fez mestrado em economia pela Universidade de Columbia. Em 1968, recebeu seu doutorado em economia pela Universidade de Chicago. É atualmente um membro sênior do Instituto Hoover na Universidade de Stanford. É autor de mais de 30 livros, ferrenho defensor da economia de mercado e já foi professor em universidades como Cornell e a UCLA. Em 2002 recebeu a Medalha Nacional de Humanidades.

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