Dizem que a língua portuguesa não é das mais fáceis de se aprender: os sons nasais são difíceis, a conjugação dos verbos, complicada e a gramática, então, nem se fala.
Agora, pior que isso é tentar explicar que quando falamos “afogar o ganso” não queremos dizer que vamos pegar o bicho e matá-lo colocando-o debaixo d’água, mas sim que… bom, melhor parar por aqui. (Deixemos o conteúdo censurado para a parte de dentro do livro).
Mas, fica a pergunta: de onde veio tudo isso? Qual é a origem de cada provérbio, expressão e dito popular? Mario Prata tem a resposta! Se são verdadeiras ou não, pouco importa. Afinal, nada como uma boa história pra boi dormir, não é?

Mas Será o Benedito? é uma contribuição única aos estudos da linguagem no Brasil. Uma obra, tenho certeza, que chamará a atenção de todos que se interessam pelo português tal como é falado no país há muito tempo.
O conhecidíssimo dramaturgo e escritor Mario Prata reúne mais de 400 expressões, provérbios e ditos populares e faz uma análise bem própria – com singular humor e nenhuma preocupação acadêmica – das prováveis origens de cada um deles.
O leitor ficará sabendo, por exemplo, que a expressão “cara de bunda” é, na verdade, uma corruptela de “cara de Buda”. Segundo o autor, “o brasileiro logo achou que Buda tinha cara de bunda (e não tem?) e modificou a frase”. Pode? Neste livro tudo pode.
Transparece, aliás, um certo entusiasmo para com os países baixos da geografia humana. Um tema, de acordo com Prata, característico da cultura brasileira e não dele propriamente.
Poucos devem saber, para citar mais um exemplo, que “comer gato por lebre” se referia originalmente a um curioso triângulo sexual envolvendo o bandeirante Borba Gato e a cozinheira Mariazinha Lebre. Mas parece que foi assim mesmo. Prata, ao carnavalizar os ditos populares, consegue fazer rir. Ou seja: não perdeu o seu latim.

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