Sob A Égide Da Vaidade E Da Arte é fruto de pesquisas, mas, sobretudo, fruto de um prazer inenarrável obtido com a leitura do corpus em questão e com o carinho despendido nas linhas que se seguem. Falar de Oscar Wilde e de Erico Verissimo é, para o autor, algo de muita valia, e uma aproximação entre os dois autores consolida-se num trabalho em que prazer e paixão se conectam de forma inabalável.
Tenta-se buscar, nesta obra, uma aproximação entre Wilde e Verissimo, escritores que, apesar da distância temporal e espacial, parecem ter conseguido dialogar sem nunca terem se conhecido.
São estilos diferentes que por vezes se tocam, com o intuito de se buscar a melhor forma de se transmitir uma ideia estética, uma passagem carregada de poeticidade.
Assim, este livro tem o objetivo de desvelar as possíveis relações literárias entre o romancista gaúcho Erico Verissimo (1905-1975) e o escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900). Pelo prisma da arte e da confluência entre literatura e outras artes, percebe-se um elo a conectar a obra dos dois autores, em especial o livro O retrato, segundo volume da trilogia O tempo e o vento (1949-1962), e O retrato de Dorian Gray, publicado integralmente em 1891. O estudo comparativo visa a analisar as narrativas sob o aspecto da construção destas, sua estética e suas personagens.
Sob A Égide Da Vaidade E Da Arte dedica uma parte a cada um dos seguintes aspectos: a relação entre Verissimo e Wilde sob a perspectiva da influência recebida pelo brasileiro por meio de leituras de trabalhos como o citado acima e ainda da peça Salomé, além de outros textos de autores de língua inglesa; a análise das narrativas sob o ponto de vista da literatura e da pintura; as implicações do dandismo e suas consequências em relação às obras; o papel do retrato como motivo literário a permear os textos e, além disso, como elemento a metamorfosear-se ao longo da narrativa; e, por fim, o papel do artista como personagem de essencial importância para o desenvolvimento da trama, aliado à sua própria função, da inspiração à decadência. Portanto, a importância de tal trabalho ocorre por conta da possível propagação do modelo literário imposto por Oscar Wilde fora de grandes centros brasileiros como Rio de Janeiro ou São Paulo, estendendo-se a locais onde o simbolismo ainda se manifestava tardio.

Deixe uma resposta