Não é possível no espaço discursivo acadêmico-universitário dizer qualquer coisa de qualquer modo. Esse confronto provoca uma outra relação com o saber e com a sua produção.
É notório que o conhecimento produzido nos círculos acadêmico-universitários se caracteriza, basicamente, por se afastar, radicalmente, daquele produzido no espaço do senso comum, mesmo quando o aluno universitário faz dele o seu ponto de partida.
Então, a tarefa que se apresenta a um aluno universitário em seu processo de entrada nessa ordem discursiva que lhe impõe outros modos de dizer comporta uma mão de via dupla: por um lado, para que se constitua nesses novos modos de dizer, ele, necessariamente, precisa se submeter às leis que compõem as regras de construção discursiva de tais modos; por outro lado, precisa encontrar uma maneira de subverter essas regras de tal forma que a elas não sucumba.
Isso porque constitui nosso entendimento a entrada na ordem do discurso acadêmico-universitário e, em decorrência, a constituição de um aluno universitário pela via da escrita acadêmica deve contemplar uma escrita institucionalizada e, ao mesmo tempo, subjetiva, de modo a se afastar da mera reprodução; por vezes, teóricas que se encarrega, sobretudo, de referendar, no espaço acadêmico-universitário, autores que, supostamente, seriam os portadores das verdades científicas e que, por essa razão, deveriam ser reproduzidos-perpetuados.
Ao contrário disso, uma escrita acadêmica institucionalizada e subjetiva, assim entendida em seu jogo tensivo constitutivo, pode levar, em decorrência, a uma responsabilidade enunciativa. Tal responsabilidade supõe a tomada da palavra a partir das exigências que a assunção à ordem do discurso acadêmico-universitário demanda do(aluno) universitário.
Para explicitar e problematizar questões que envolvem o que postulamos aqui, essa coletânea propõe discutir produções escritas de (alunos) universitários às voltas com o processo de apropriação da escrit(ur)a acadêmica, momento em que os alunos enfrentam concretamente a escrita a partir das exigências de práticas discursivas específicas.

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