Passadas as primeiras duas décadas de ciberjornalismo (1995-2015), em que os principais media mundiais e de escala territorial mais abrangente foram protagonistas, eis que emergem o interesse e o conhecimento em torno dos media regionais, locais e hiperlocais.
Embora a reflexão em torno destes meios, bem como do seu jornalismo de proximidade, não seja de agora, a realidade é que os últimos anos têm sido pródigos em projectos de investigação, artigos, dissertações e teses. A escassez e a dispersão destes contributos têm tido, assim, um oportuno e desejável revês.
A dificuldade em encontrar estudos que se debruçassem sobre os realidades mencionadas, foi precisamente o principal obstáculo que tivemos transpor, aquando da construção de um projecto de investigação para doutoramento.
Na proximidade geográfica e cultural, apenas em Espanha encontramos investigação continuada ao longo dos anos, algo que não ocorre por exemplo no Brasil. A escassez é ainda maior, quando pretendemos conhecer a transição daqueles media para a era digital e a adaptação do jornalismo de proximidade e seus profissionais a essa nova realidade.
E se o panorama naqueles dois países irmãos é assim, o que dizer em relação a Portugal. À exceção do livro “Jornalismo de proximidade” de Carlos Camponez, publicado há quase década e meia, tem-se assistido a um quase vazio de investigação continuada e consistente. Ainda que estejamos a falar num setor para o qual trabalha ou colabora parte significativa dos jornalistas existentes em Portugal. Não será pois de estranhar que ainda hoje a obra do jornalista leiriense e atual professor investigador conimbricense permaneça como obra de referência, aquém e além fronteiras. Embora aquele trabalho de investigação tivesse decorrido nos primeiros anos de Internet nas redações portuguesas, a realidade é que esta não era o objeto de estudo.
Foi necessário esperar quase uma década, para que começassem a surgir alguns trabalhos de investigação sobre a adaptação da imprensa regional à Internet. Já em relação ao jornalismo propriamente dito, esse olhar é ainda mais recente. É por esse motivo que importava reunir algumas das principais referências no estudo dos media e do jornalismo de proximidade, pedindo-lhes o seu olhar de hoje, sobre este contínuo processo de transição e adaptação.
O mote viriam a ser as II Jornadas do Observatório do Ciberjornalimo (Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 5 de dezembro de 2013), onde se refletiram e debateram os “Novos territórios no ciberjornalismo de proximidade”. E foi ali, precisamente ali, entre colegas investigadores, que surgiu a ideia de conceber este livro, que após vários contratempos, vê agora a luz do dia.

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