Michel Pêcheux é filósofo e considerado o criador, se podemos assim designá-lo, da análise do discurso de orientação francesa. Ele propôs um estudo da linguagem por meio dos estudos dos entremeios, alojando os princípios teóricos por ele mesmo estabelecidos em regiões que podem parecer contraditórias, fazendo trabalhar a desconstrução e construção em busca de uma compreensão incessante de seu objeto teórico – o discurso.
Em O discurso: estrutura ou acontecimento (1983), livro que já está em sua 4ª edição, publicado pela Pontes Editores, Pêcheux analisa o discurso no seu batimento, ao considerar tanto a sua estrutura quanto o acontecimento que lhe dá origem. Assim, em seu domínio específico, o autor procura analisar os conhecimentos tidos como positivos, fazendo um percurso por tais ciências tidas como positivistas. O autor vai tratar da relação entre os universos logicamente estabilizados, em que não são possíveis as derivas de sentido, e aquelas formulações irremediavelmente equívocas, analisando como se relacionam a descrição e a interpretação, enquanto buscam traçar as formas de se fazer ciência: aquelas que agem de forma sobredeterminantes e as que atuam sobre a interpretação. A fim de lograr êxito em seu percurso, Pêcheux faz trabalhar três aspectos em sua obra, quais sejam o acontecimento, a estrutura e a tensão existente entre a descrição e a interpretação que deve haver na análise do discurso.
De forma a analisar adequadamente cada um dos aspectos acima mencionados, o autor divide sua obra em três partes: Introdução; Ciência, Estrutura e Escolástica; Ler, Descrever, Interpretar. Na edição brasileira, a obra é prefaciada pela profª. Eni Orlandi, que relata um pouco do caminho do autor e os caminhos trilhados pela análise de discurso. Segundo a autora, a materialidade do discurso se faz no contato do linguístico com o histórico, sendo uma disciplina de entremeio, de confronto, da desconstrução. Michel Pêcheux discute neste livro a questão da interpretação e do acontecimento. Ao abordar a história, o autor trabalha com ela pelo viés da interpretação, isto é, o que entendemos por história é a interpretação dos fatos ocorridos em determinado momento, o seu real

Deixe uma resposta