Pensar o agir humano representa uma atividade indispensável à realização moral do homem. Conhecer o que é melhor para si e para todos nos permite reger nossas ações com base numa teleologia que torna as nossas vidas e a convivência com os outros melhores. No período clássico (séculos V e IV a. C.) do mundo ocidental essa teleologia ou fim da ação humana se apresentou por meio do pensamento filosófico como uma aspiração ao Bem, sendo a realização do Bem a efetivação do saber ético no âmbito prático. Observo que por saber ético e por prática entendemos duas dimensões distintas pelas quais se realiza moralmente o homem.
No âmbito das relações sociais, o vínculo entre ambas dimensões (o saber ético e a prática) se configura e sustenta entre os indivíduos discussões relacionadas ao agir correto. Comumente concordamos e discordamos de determinados pensamentos que dizem respeito à ação moral e levantamos juízos sobre o que seria melhor para a vida em sociedade (abrangendo com isso as relações familiares e dos seres humanos na sua relação política e com a natureza). Somos capazes de levantar os ânimos para defender nossas visões de mundo, aquilo que julgamos ser correto e, por isso, mais justo para nós e para todos, porém como explicar que as nossas ações na vida prática por vezes venham a testemunhar algo contrário àquilo que outrora defendemos?
Embora seja inegável a estreita relação que há entre a “teoria” e a prática existe independência entre ambas as dimensões da realização ética do indivíduo; o saber sobre o que é moralmente bom existe mesmo se a prática humana não o realiza. Por tomar consciência disso, problematizo de que modo o saber atinge dimensão na vida prática dos indivíduos. Destaco ao longo deste trabalho que Sócrates e Platão não defenderam a dissociação entre o saber e a prática humana, e que a distinção entre ambas as dimensões da realização moral do homem (o saber e o agir) só ocorre a partir das contribuições éticas desenvolvidas por Aristóteles. Defenderam Sócrates e Platão que o conhecimento acessado pelo pensamento é o que rege a voluntariedade da ação, e que o homem, ao conhecer o que é correto, não age de modo contrário ao seu saber. De maneira distinta defendeu Aristóteles ao vincular a relação entre o saber ético e a prática humana a uma única virtude, a Phrónêsis.

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