Julia Dantas – Ruína Y Leveza

Ruína Y Leveza: Quando se vê diante da perda de (supostas) certezas, uma jovem publicitária se lança em uma viagem sem objetivos claros e sem rota definida. Entre cidadezinhas arenosas do Peru e uma mina de estanho na Bolívia, ela atravessa fronteiras e se permite descobrir novos caminhos e pessoas, carregando na mochila um passado que ainda pesa.

Você pega o desconforto e o separa em dois grandes grupos: aquele que é seguro, como andar em uma montanha-russa testada, com todas as travas de segurança ajustadas, ou aquele de descer em um buraco onde centenas de mineiros dia a dia arriscam a vida buscando sustento. Você pode escolher a montanha-russa e ter cinco minutos intensos dos quais vai esquecer na fila do próximo brinquedo; ou pode escolher a mina sabendo que talvez aquilo não vá fazer seu coração acelerar tanto. Este livro te faz escolher a montanha-russa. O que você não sabe é que as travas de segurança estão quebradas, e que a terra indubitavelmente vai se abrir.
Eu falei desconforto, mas poderia ter dito apenas: viagens. Já que é exatamente assim, sob a promessa publicitária de “tirar da zona de conforto”, e da ideia de “ter uma experiência”, que Sara compra uma passagem e viaja sozinha para Lima sem sequer saber o que procura. Mas este não é um livro para sublinhar pontos turísticos, nem falar de nativos exóticos, ou reiterar discursos sobre locações místicas com guias simpáticos. Ele vai te arrastar pelo cenário de sonhos perturbadores, te fazer caminhar muito, te nausear, acelerando e retrocedendo. Vai te meter dentro da terra, no meio da América do Sul, e te chacoalhar com nada menos que todos os séculos em que sobre ela se arruinaram impérios e pessoas.
Sem dúvida é um livro para levar na mochila, mas do tipo que te fará odiar o momento em que tocarem no seu ombro para cobrar a passagem.

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