“Se você pensa que entende alguma coisa sobre mecânica quântica, então é porque não entende nada.”
A frase, do físico norte-americano Richard Feynman, ganhador do prêmio Nobel de Física de 1965, define bem o sentimento de quem busca compreender esta ciência.
Para atenuar essa sensação e explicar os fundamentos desse importante campo da física, os professores espanhóis Andrés Cassinello e José Luis Sánchez Gómez escreveram O mistério quântico – uma expedição às fronteiras da física.
Nele, os autores partem de conceitos matemáticos básicos para desvendar, em toda a sua profundidade, a mecânica quântica. Afinal, a teoria quântica mudou a ideia sobre o comportamento da matéria, do átomo.
O mistério quântico consiste justamente no desenvolvimento de um tema principal: a sobreposição. Esse é o conceito diferencial entre a física clássica e a quântica.
O mistério quântico quer preencher uma lacuna: os livros modernos de divulgação da física dedicam-se especialmente a contar casos – quase sempre divertidos e interessantes, sem dúvida –, ou à descrição superficial de alguns princípios, mas deixam muitos leitores interessados com certo sentimento de insatisfação, porque se aproximam de uma matéria, mas não a abordam totalmente.
Tratam de temas que parecem atraentes, embora não os expliquem. O leitor adquire apenas uma vaga ideia dos assuntos tratados, mas não conhecimento preciso ou profundo.
Pensamos que, com frequência, as pessoas recorrem a um livro de divulgação porque não têm a bagagem matemática para enfrentar livros mais técnicos, mas pretendem adquirir uma ideia cabal dos temas e princípios expostos.
O mistério quântico pretende explicar os fundamentos da mecânica quântica e suas aplicações recentes. Buscamos um difícil equilíbrio: utilizar matemática básica, mas sem deixar de esclarecer, em toda a sua profundidade, os temas tratados.
Para isso, selecionamos um fio condutor que resume a essência quântica, o despimos do rigor matemático formal, substituindo-o por ideias intuitivas, retiramos tudo que é complementar e buscamos os casos simples e os experimentos para nos concentrarmos em explicar o fundamental.
Repudiamos tudo aquilo que, embora importante em mecânica quântica, nos distraia desse fio condutor, e que, além de tudo, requeira um aparato técnico mais complexo. (Por isso não falamos, por exemplo, do spin, grandeza quântica por excelência e muito utilizado em outros textos para explicar os meandros quânticos).
Preferimos nos dedicar a um só tema, que pode ser apresentado de forma muito intuitiva – a polarização da luz – e que vai nos conduzindo por meio do cerne quântico.

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