Quando deu o título de Dez dias que abalaram o mundo ao seu livro, John Reed estava consciente da importância transcendental dos acontecimentos que estavam se dando na Rússia.
Socialista, amadurecido no contato com as lutas sociais e com as atrocidades da Primeira Guerra Mundial, ele previa a enorme repercussão da revolução russa em todo o mundo. Reed não pôde ver, porque morreu de tifo em 1920, mas a revolução confirmou plenamente seu vaticínio. Foi o maior acontecimento do século 20, que mudou de maneira irreversível a história dos povos e nações de todo o planeta. Este livro também serve para reflexões atuais sobre como a ação e a organização das massas é fundamental para a transformação da sociedade, a conquista da liberdade e do socialismo.
Agora que a revolução russa de 1917 completa cem anos, Dez dias que abalaram o mundo, o famoso livro de John Reed, é uma leitura indispensável. Ler ou reler este livro do jornalista socialista estadunidense é como acompanhar ao vivo, no calor dos eventos, o desenrolar estonteante daqueles acontecimentos que mudaram a História.
Reed já havia reportado a revolução mexicana, acompanhou Pancho Villa e seus guerrilheiros nos combates e escreveu o livro México Rebelde, em 1914. Logo depois, foi para a Europa fazer cobertura da Primeira Guerra Mundial, quando relatou o morticínio e os horrores do que chamou de “guerra dos negociantes”. Percebeu que eventos importantes se anunciavam na Rússia e para lá se deslocou em setembro de 1917.
Perspicaz, Reed produzia um jornalismo objetivo, que combinava riqueza de fatos com um estilo literário. Na condição de testemunha ocular, ele escreveu páginas emocionantes e que retratam com brilho os dias da tomada de poder pelos bolcheviques, com momentos de grande beleza.
Como jornalista socialista americano, representando jornais de esquerda, e sendo ousadamente furão, conseguiu livre trânsito tanto entre os bolcheviques como entre os representantes dos outros partidos, no governo provisório e até com o presidente Kerenski, que governava com apoio da burguesia e da direita monárquica, derrubada do poder, mas ainda com o controle das engrenagens da economia e da sociedade. Visitou a frente de batalha, quase esteve para ser fuzilado por soldados revolucionários analfabetos que não entenderam seu documento de salvo conduto, fornecido pelo governo dos sovietes. Salvou-se insistindo para que fossem até uma casa, onde encontraram uma mulher, que, apesar de muito assustada, leu o documento que lhe dava livre trânsito.

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