Uma proposta de reflexão. Sobre a linguagem, sobre o sujeito, sobre a história e a ideologia. Que tampouco tem a pretensão de fazer de todo mundo especialistas em análise de discurso, mas que, através do contato com os princípios e os procedimentos analíticos que aqui expomos, poderão se situar melhor quando confrontados com a linguagem e, por ela, com o mundo, com os outros sujeitos, com os sentidos, com a história.

Eni Orlandi constrói, nessa obra, uma interessante e consistente proposta de reflexão sobre a linguagem, o sujeito, a história e a ideologia. Para isso, a autora organiza o seu livro em três capítulos: “O discurso”, “Sujeito, história e linguagem” e “Dispositivo de análise”.
No I Capítulo, Orlandi retoma o fato de o estudo da Linguística concentrar a atenção na língua como sistema de signos e a Gramática normativa nas normas do bem dizer.
Isso para introduzir a discussão de que a Análise de Discurso não trata da língua, tampouco da Gramática, embora tenha interesse por ambas.
Nesse espaço, a autora preocupa-se em discutir que o discurso é “lugar em que se pode observar a relação entre língua e ideologia”.
Orlandi informa sobre os estudos que antecedem e preparam o campo para a Análise de Discurso. Também aborda sobre os três domínios disciplinares, Linguística, Marxismo e Psicanálise, assim como os deslocamentos produzidos pela Análise de Discurso. Orlandi argumenta que podemos dizer que a análise de discurso pressupõe a psicanálise, a linguística e o marxismo. Constitui-se como uma disciplina de entremeio, fazendo-se na contradição dos três campos do saber. Dito de outro modo, a análise de discurso se faz entre a linguística e as ciências sociais.
Se, por um lado, interroga a linguística que exclui o que é histórico-social ao pensar a linguagem, por outro lado interroga as ciências sociais na medida em que estas não consideram a linguagem em sua materialidade. A análise de discurso faz isso sem, no entanto, ser uma resposta a essas questões.
Mostra que para responder ao que interroga é necessário um deslocamento de terreno e constituir outra região teórica em que a relação entre o sócio-histórico e o linguístico é constitutiva. Ou seja, o que liga o dizer a sua exterioridade constitui o próprio dizer

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