O livro Desenvolvimento Rural e Gênero é composto por 13 capítulos e reuniu 19 pesquisadores com longas trajetórias acadêmicas e científicas e, também, novos investigadores com grande potencial intelectual.
Os autores foram convidados para escrever sobre as várias dimensões do tema desenvolvimento rural e gênero, com a clara ideia de trazê-lo para dentro do livro como uma única temática, e com vários pontos de vista.
Normalmente, esses dois termos surgem nas pesquisas como palavras–chave e, por muitas vezes, dissociadas e afastadas entre si. A intenção dos organizadores é transformar os termos – desenvolvimento rural e gênero – em um tema, por meio de abordagens teóricas e empíricas. Neste sentido, vale destacar as dimensões dos dois conceitos (desenvolvimento e gênero) que são tratados neste livro.
O conceito de desenvolvimento está, por um lado, em constante elaboração e transformação ao longo do tempo e no espaço, e se distanciou da ideia unidimensional do crescimento econômico e aumento da renda per capita; por outro lado, aproximou-se das relações e justiças sociais, e de outras temáticas, como participação política e meio ambiente. Existem barreiras de várias ordens para uma sociedade alcançar novos estágios de desenvolvimento. A despeito dessas dificuldades, entendemos que os avanços reais não serão alcançados caso qualquer grupo populacional não puder ser participante do processo de desenvolvimento e desfrutar da qualidade de vida que os recursos tangíveis e intangíveis possam oferecer para a sociedade. Particularmente neste livro, foram levantadas não somente as dificuldades, mas também as estratégias e as políticas públicas direcionadas ao grupo populacional das mulheres, e, sobretudo, para as relações de gênero construídas no meio rural.
Nesta obra, o gênero feminino é privilegiado no debate e nas estratégias de desenvolvimento rural, reconhecendo que prevalecem relações assimétricas de gênero na construção e no processo de desenvolvimento em curso. No meio rural, a invisibilidade das mulheres é maior e potencializada pelos padrões culturais e pelas normas sociais vigentes e, ainda, pela grande dispersão espacial, tornando mais acentuada a invisibilidade social e do trabalho, e, especialmente, na agricultura familiar em que as atividades de produção e reprodução se embaralham. E nos anos mais recentes, no Brasil, as pesquisas mostram que há um grande desequilíbrio demográfico entre mulheres e homens, gerando potenciais perdas do ponto de vista social, econômico, político e mesmo ambiental.

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