Medo do Conhecimento está traduzido para várias línguas, o que se deve, por exemplo, à relevância dos temas tratados, tanto para as ciências da natureza como para as humanidades.
É possível que o conhecimento formulado sobre os objetos do mundo, ou a própria concepção do que é o mundo, esteja condicionado inexoravelmente à construção social? E, tendo em vista que as construções variam para cada cultura, o conhecimento construído por uma sociedade é tão igualmente válido quanto todos os outros elaborados pelas diferentes comunidades humanas? Por outro lado, haverá uma verdade indubitável que não esteja submetida aos ditames do relativismo e do construtivismo? O senso comum, mais intuitivo, da percepção da realidade ocupa algum lugar na perspectiva filosófica ou científica? Medo do conhecimento propõe-se a discutir essas teorias que, segundo o autor, acabam por se transformar em camisas de força na compreensão da realidade.

É raro que uma ideia filosófica receba uma ilimitada aceitação na comunidade intelectual mais ampla da academia; a filosofia, por sua natureza, tende a reivindicar um escopo e uma generalidade que convidam à controvérsia.
No entanto, nos últimos vinte anos, mais ou menos, um notável consenso se formou – nas ciências humanas e sociais, embora não nas ciências naturais – em torno de uma tese sobre a natureza do conhecimento humano. É a tese de que o conhecimento é socialmente construído.
Embora a terminologia da construção social seja relativamente recente, as ideias subjacentes, como veremos, envolvem questões duradouras sobre a relação entre mente e realidade, questões que inicialmente me atraíram para a filosofia.
Se este livro parece conceder uma atenção desproporcional ao trabalho de Richard Rorty, não é somente por causa de sua enorme influência sobre as noções construtivistas contemporâneas, mas também porque, como estudante do primeiro ano de graduação em Princeton em 1979, passei a apreciar o poder dessas noções num seminário dele. Embora elas se chocassem com as tendências fortemente objetivistas que eu trouxera para a universidade de minha formação inicial em física, achei perturbadores os argumentos de pelo menos algumas teses construtivistas – as que dizem respeito à crença racional – e considerei que a filosofia acadêmica as tinha descartado com demasiada pressa. Sempre fui grato a Rorty por ter me feito ver a necessidade de lidar com essas ideias.
Uma vez que as questões que Medo do Conhecimento aborda vêm atraindo um público mais amplo, tentei torná-lo acessível não só aos filósofos profissionais mas a qualquer pessoa que valorize o debate sério. Embora não saiba em que medida tive êxito, sei contudo que subestimei radicalmente a dificuldade que tal tarefa representaria.

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