O filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626) escreveu sua obra mais conhecida Novum Organum (publicação 1620) dois anos após tornar-se lorde chanceler e barão de Verulam (1618) e dois anos antes de publicar a História Natural (1622). É importante compreendermos o contexto histórico (político, social e econômico) da Inglaterra, este que se insere o filósofo, como atuante e influente político antes de aprofundarmos nesta obra que foi um marco intelectual de sua vida.
Período esta de grande ascensão inglesa nos campos político e econômico no reinado de Elizabeth I. Foi partícipe na corte real em diversos setores (econômico, social, científico, religioso, filosófico) e astuto defensor do reino nos inúmeros combates de forças contrárias ao governo da rainha. Momento histórico do absolutismo inglês em vias de consolidação, apoiado pelas atividades comerciais elevadas, que serviriam de sustentáculo econômico-social para a monarquia.
Ao escrever sua mais famosa obra, Bacon contrapõe-se ao Organum aristotélico e a ciência dedutiva, pois, sua lógica sai do universal para o particular . Questionará a dialética e suas precauções tardias que nada modificam o andamento das coisas, mais serviram para firmar os erros que descerrar da verdade. O autor afirma que “(…) se os homens tivessem empreendido os trabalhos mecânicos unicamente com as mãos, sem o arrimo e a força dos instrumentos, do mesmo modo que sem vacilação atacaram as empresas do intelecto, com quase apenas as forças nativas da mente, por certo muito pouco se teria alcançado, ainda que dispusessem para seu labor de seus extremos recursos”.
Ele defende o uso de máquinas e técnicas (precursor da tecnologia) para a dominação da natureza, o que sem esses meios para ele seria praticamente impossível. Para Bacon somos guias e curadores do ambiente natural, defende a coligação entre reflexão e filosofia e pede que haja dois métodos: um destinado ao cultivo das ciências e outro destinado à descoberta científica, ou seja, o primeiro método ou caminho de antecipação da mente e ao segundo de interpretação da natureza. Afirma sermos verdadeiros filhos da ciência, e nos convida a penetrarmos nos recônditos domínios por trás dos vestíbulos da ciência começada pelo pleno domínio de si mesmo e do juízo dela.
Francis Bacon assume a paternidade da ciência moderna ao gerar o Novum Organum, tem a intenção de repaginar a posição do homem e da ciência frente à natureza balizando-as em justa posição. O homem para Bacon é servo, escravo e intérprete da natureza, ou seja, um leitor nato, um desbravador que a utiliza para compreender e fazer, transformar e modificar pela observação e análise os fatos e fenômenos que ocorrem nela (natureza) em seu curso natural. É importante compreender esse processo de Bacon como um utilitarismo da natureza de forma responsável, responsabilidade esta que não lhe deixa ser um predador e usurpador, mas sim um conhecedor que a experimenta e produz um efeito benéfico sobre ela.

  

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