A Integração Do Ensino Médio À Educação Profissional Técnica No Brasil discute a integração do ensino médio (EM) à educação profissional técnica (EPT), na medida em que pretende superar a clássica divisão histórica entre a educação profissional, destinada à formação da classe trabalhadora, e a educação propedêutica, dirigida à formação da classe dirigente/política no contexto escolar brasileiro.
Para tanto, adota-se o método dialético de investigação e exposição crítica do objeto, com arrimo nas análises de cunho marxista realizadas sobre a documentação legal e bibliografia pertinentes à temática, encorpadas pelos insumos advindos de entrevistas e questionários que compõem a pesquisa de campo realizada junto à rede educacional cearense que desenvolve o EMI a EPT desde sua implantação, em 2008.
No itinerário da pesquisa, delineia-se o contexto histórico geral, que evidencia a tendência à dualidade estrutural como marca distintiva na educação escolar no Brasil, destacando o mote das políticas educacionais da década de 1990, com ênfase nas mediações entre a educação e as transformações ocorridas no mundo do trabalho desde os anos 1960, caracterizadas, sobremodo, pelo binômio reestruturação produtiva e contrarreforma do Estado.
Nesta panorâmica, insere-se a análise do governo Lula, no qual se origina a política de integração do EM/EPT, destacando, de um lado, os aportes legais da política de integração, com ênfase nos embates político-ideológicos que redundaram no Decreto nº 5.154/2004 e nas posteriores mudanças introduzidas na LDB nº 9394/1996 no que tange ao objeto de estudo.
De outra parte, situa-se a discussão do EMI no conjunto das ações governamentais, expressas pelo Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e os rebatimentos da política de integração EM/EPT no Estado do Ceará, dando relevo às reconfigurações políticas da burguesia local, expressas na adoção da concepção de mundo empresarial por intermédio, dentre outras, da tecnologia empresarial socioeducacional (TESE) como referencial teórico e mecanismo gerencial de implantação/implementação para a estruturação do EMI neste Estado.
Os resultados da pesquisa indicam que, no Brasil, prevalece, como marca distintiva, a clássica bifurcação nos percursos de formação da classe trabalhadora e dirigente/política, tendo como diferencial histórico os contornos assumidos pelas demandas da crise estrutural do capital no atual estádio de desenvolvimento das forças produtivas.
Tal contexto, reverbera nos entes federados, potencializados pela ausência de um sistema nacional de educação. Por esse prisma, pode-se concluir que a educação escolar, em suas formas e níveis, desde os rudimentos históricos, evidencia a concepção dual da realidade que legitima o status quo classista, favorecendo, desta feita, a manutenção/aprofundamento das desigualdades sociais, conformando a formação humana aos limites do sistema capitalista, tornando-se imprescindível, portanto, sua superação, na qual a educação escolar pública se insere como “trincheira” a ser defendida, entre outras, mediante a depuração dos aspectos capitalistas que se incrustam proposital e funcionalmente em seus níveis e modalidades de ensino, enredando, assim, a elevação cultural nas massas subalternas aos limites do capital, mantendo incólumes as bases de extração da mais-valia assentes na divisão social do trabalho/propriedade privada dos meios de produção.

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