Regina Maria Marteleto & Ricardo Medeiros Pimenta (Orgs.) – Pierre Bourdieu E A Produção Social Da Cultura, Do Conhecimento E Da Informação

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Os trabalhos aqui reunidos decorrem de um projeto de pesquisa-ensino-comunicação científica composto pela organização de uma disciplina de pós-graduação, um seminário aberto ao público acadêmico e este livro-coletânea dedicados à apropriação do pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, com foco nas formas sociais de produção da cultura, do conhecimento e da informação.
Diversas foram as motivações para a realização do projeto. Primeiro, o interesse dedicado à produção de Pierre Bourdieu pelos pesquisadores brasileiros, inicialmente na Sociologia, Antropologia e Educação.
Posteriormente, com as traduções de suas obras, a institucionalização dos programas de pós-graduação e o fluxo mais intenso de pesquisadores e estudantes no país e no exterior, suas ideias são apropriadas em outros domínios de pesquisa, dentre eles a Ciência da Informação.
Segundo, a oportunidade de reunião de pesquisadores vindos de disciplinas e instituições diferenciadas permite o trânsito de ideias e a sistematização dos produtos e resultados de pesquisas capazes de apontar para outras possíveis leituras e apropriações.
O tempo de maturação de seus conceitos e métodos aplicados em pesquisas no campo de estudos da informação, enquanto domínio de conhecimento das Ciências Sociais e Humanas, parece ter atingido um patamar que justifica o diálogo interdisciplinar proposto.
Por último, no momento histórico presente, no qual os laços sociais e os produtos culturais alcançam relevo mundializado nos intensos fluxos de comunicação e informação, reconfigurando as formas de leitura, interação e aprendizagem, cabe redimensionar o pensamento de um autor que dedicou suas pesquisas à reflexão sobre os processos de dominação simbólica e de diferenciação social por meio de uma abordagem socioantropológica do conhecimento.
Estariam as novas mídias, redes e plataformas digitais reconfigurando as formas de produção, acesso e apropriação do conhecimento de maneira a concorrer para o ganho de capitais sociais, culturais e informacionais dos seus usuários? Quais seriam os meios e os atores atuantes nos procedimentos de arquivamento e digitalização para a preservação da memória cognitiva do amanhã? Como interpelar, confrontar, renovar essa memória digital e as suas formas de produção, difusão e acesso?
Estas são questões que precisam ser refletidas pelos estudos da informação à luz de uma sociologia crítica que interroga sobre o poder simbólico exercido pelas mídias, pelo Estado, pelas instituições da cultura, pelos poderes econômicos.
Certamente, se vivo fosse, Pierre Bourdieu se interessaria pela atualidade dessas novas mídias e faria enquetes e pesquisas em profundidade para entender o que realmente esses novos dispositivos produzem e difundem.

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