A Trégua: O cotidiano cinzenta e rotineiro, marcado pela ausência de perspectivas, característica da classe média urbana, permeia as páginas desta história patética. Adotando a forma de um diário pessoal, A Trégua relata um breve período da vida de um funcionário viúvo, próximo da aposentadoria, cuja existência se divide entre o escritório, a casa, o café e uma precária vida familiar dominada por uma relação difícil com os filhos já adultos. Uma inesperada relação amorosa, que parece oferecer ao protagonista um horizonte de libertação e felicidade pessoal, é tragicamente interrompida e será apenas um parêntese – uma trégua – em sua luta diária contra o tédio, a solidão e a passagem implacável do tempo.
Martín Santomé é um viúvo com três filhos adultos com os quais tem uma relação acidentada. Está prestes a se aposentar, após anos exercendo um trabalho burocrático e rotineiro em uma firma comercial – um de seus poucos orgulhos como funcionário é a caligrafia cuidadosa com que faz anotações nos livros da empresa. Letargizado em uma vida comezinha, cinzenta e sem alegria, Santomé pergunta-se o que fará quando se aposentar. Aprender a tocar um instrumento, talvez? A sua existência é alterada quando ele conhece Laura Avellaneda, uma bela e encantadora jovem que parece prometer toda a vitalidade que falta a Santomé. Será Avellaneda realmente uma redenção, ou apenas uma trégua?
Publicado em 1960, A trégua é a mais importante narrativa do escritor uruguaio Mario Benedetti e uma das obras-primas da literatura latino-americana do século XX. Escrito no formato de diário pessoal e repleto de uma finíssima ironia, retrata de maneira pungente a vida inócua e sem perspectivas dos grandes centros urbanos, bem como a luta perdida contra a solidão e a inexorável passagem do tempo. A Trégua é um livro atual e definitivo.

Mario Benedetti, o poeta uruguaio do compromisso e cronista dos sentimentos, morreu em Montevidéu aos 88 anos. Romancista, contista, ensaísta, dramaturgo e crítico, foi um resistente que viveu e lutou contra o exílio e a doença. Os seus livros de contos, novelas e poemas são uma referência para os leitores da América do Sul e da Europa, sobretudo Espanha. Benedetti foi o mais prolífico expoente da literatura uruguaia, com obras traduzidas em vários idiomas.

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