Atualmente, a inclusão digital está em plena discussão no Brasil com o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). O tema está presente em políticas públicas governamentais desde 1999, quando o governo lançou o “Programa Sociedade da Informação”, pelo decreto 3.294 em 15 de dezembro, que culminou no Livro Verde em 2000.
Depois, o projeto Computadores para Todos (2005-2008) foi lançado tendo como objetivo reduzir os preços dos computadores para facilitar o acesso. O primeiro projeto perdeu os rumos e foi descontinuado na prática; o segundo perdeu relevância já que o mercado se incumbiu de reduzir os preços.
Agora o PNBL visa oferecer internet de alta velocidade a toda a população a baixos custos, tendo como pressuposto a ideia de que o acesso à internet configura-se como um valor fundamental para o desenvolvimento social, econômico e cultural do país.
O PNBL tentar reduzir o atraso brasileiro em relação aos países centrais onde essa política foi implementada já há algum tempo. No entanto, o lobby das empresas de telecomunicação e das operadoras de internet que dominam o mercado no país está colocando limites muito concretos ao sucesso do empreendimento.
O custo sugerido pelo governo é de R$ 35,00/m para uma velocidade de 1Mbps, mas a mesma vai diminuindo quando o consumo passa de 300Mb a 500Mb, a depender da operadora, fazendo com que o usuário tenha duas opções: ou pague mais, ou use a internet com velocidade reduzida.
Ouvir música, ver filmes ou vídeos, ou mesmo baixar e atualizar programas na máquina estão, nesse modelo, inviabilizados. Ou seja, o PNBL, se assim se constituir, será um projeto que visa incluir, mas que na realidade exclui os já excluídos, dando a eles um falso sentimento de inclusão.
Como vemos, discutir inclusão digital é um assunto espinhoso, que nos obriga a discutir políticas que compreendam o acesso às novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) como elementos de inclusão social em sentido amplo (economia política, mercado, hábitos sociais, profissões…).

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