Teresa Montero (Org.) – Clarice Na Cabeceira

Posted on Posted in Literatura Brasileira

Clarice na cabeceira é uma seleção afetiva de 22 contos de Clarice Lispector feita por leitores que se dedicam a criar “instantes de beleza” em seus trabalhos: são escritores, atrizes, cineastas, cantoras, críticos literários e jornalistas. A frase de Guimarães Rosa ecoa no texto que cada leitor convidado escreveu: “Clarice, eu não leio você para a literatura, mas para a vida.” Esta frase tocou tanto a escritora a ponto de ela registrá-la numa crônica em sua coluna no Jornal do Brasil.
Clarice Lispector sempre declarou seu amor por aqueles que tinham paciência de esperá-la através da palavra escrita.
Ainda em vida, ela recebeu o carinho dos leitores sob diversas formas. Mas quem é esse personagem chamado leitor? Clarice respondeu: “O personagem leitor é um personagem curioso, estranho. Ao mesmo tempo que inteiramente individual e com reações próprias, é tão terrivelmente ligado ao escritor que na verdade ele, o leitor, é o escritor.”
Desde que Clarice Lispector nos deixou, novas formas de declarar seu amor por ela e por sua obra foram encontradas.
Uma legião de fãs cresce a cada ano, são principalmente jovens que fazem de Clarice o seu livro de cabeceira e gostam de registrar essa paixão nos seus diários virtuais na internet.
Os números impressionam: no google há mais de um milhão de entradas para Lispector no mundo todo e cerca de 900 mil em português, 642 mil referências para blogs e 57 mil para fotologs. No orkut são 150 comunidades associadas ao seu nome, num total de 260 mil pessoas. Alguns títulos dessas comunidades retratam como os leitores se sentem diante da obra de Clarice: “Eu amo Clarice Lispector”, “Clarice Lispector me lê”, “Clarice Lispector fala por mim”, “Clarice Lispector me entende”.
Clarice está no mundo virtual, no cinema, no teatro, na dança, na televisão, na música. Ela continua atravessando as fronteiras e cativando leitores de todos os continentes. É traduzida em línguas mais conhecidas como inglês, francês, italiano, alemão e espanhol, e cm línguas raras como croata, coreano, finlandês, sueco, hebraico, grego, tcheco, russo, catalão, turco e japonês. Objeto de inúmeras teses acadêmicas no Brasil e no exterior (onde destaca-se como a autora brasileira mais estudada), ocupa um lugar de destaque numa pesquisa internacional desenvolvida pelo projeto Conexões Itaú Cultural — Mapeamento da Literatura Brasileira: depois de Machado de Assis, seu nome é o mais lembrado pelos tradutores, professores e bibliotecários estrangeiros.

Deixe uma resposta