A crítica canadense Linda Hutcheon propõe em seu livro Uma teoria da paródia um estudo sobre a configuração das práticas artísticas modernas. Dentre essas práticas, o estudo dá especial destaque à paródia, reconhecendo-a como um fenômeno presente na tradição artística, mas analisando-a através da reconsideração de sua natureza e função à luz da modernidade.
A autora tem consciência de que os ecos paródicos não são exclusivos do século XX, mas o grande número de obras que se constitui a partir dessa construção formal nos mais diversos meios artísticos sinaliza a importância adquirida por essa forma a partir desse século. O estudo compreende que a paródia é repetição com diferença, um modelo complexo de “transcontextualização”, inversão e revisão crítica que remete à arte moderna a sua tradição.
Uma teoria da paródia divide-se em cinco capítulos: o capítulo denominado Definição de paródia especifica a forma paródica abordada pelo estudo e desenvolve comparação entre as definições das formas paródicas constantes ao longo da história literária; no capítulo O alcance pragmático da paródia, são apresentadas, através de exemplificações da arte ocidental, as diferentes funcionalidades da paródia; em O paradoxo da paródia, Linda Hutcheon realiza um paralelo entre seu conceito de paródia e aquele proposto por Bakhtin – conceito que considera insuficiente para abranger a arte produzida a partir do século XX; e no quinto capítulo, denominado Codificação e descodificação: os códigos comuns da paródia, são observados o status mimético e ideológico da paródia.
A metodologia proposta para o desenvolvimento desse estudo é a observação da natureza e função da paródia nas obras de arte e a partir daí a elaboração de teorias que contemplam esse fenômeno. Esse é um aspecto importante a ser destacado, visto que o estudo parte da prática artística para fundamentar as noções teóricas de modo a contemplar as especificidades formais e funcionais assumidas pela paródia em diferentes contextos.

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