Porque Não Sou Cristão é considerado um dos mais blasfemos documentos filosóficos jamais escritos. Se a religião fornece respostas às perguntas que sempre atormentaram a humanidade – por que estamos aqui, qual a razão da vida, como devemos nos comportar –, Russell dissipa esse conforto, deixando-nos com alternativas mais perturbadoras: responsabilidade, autonomia e consciência do que fazemos.
Normalmente citado junto ao Cândido de Voltaire, à Idade da Razão, de Thomas Paine, A ultima tentação de Cristo, de Martin Scorsese, e A vida de Brian, do Monty Python, Por que não sou cristão, apesar do tom bem-humorado, coloca ao leitor questões que nunca mais poderão ser ignoradas.
O Autor começa por explicar o que deve ser considerado um cristão, ou seja, que uma pessoa deve acreditar em Deus e na imortalidade e, por outro , tem que acreditar que Cristo (como descrito nos Evangelhos ) deve ser considerado, se não divino, pelo menos o mais sábio ou melhor dos homens . Russel não acreditava em nenhuma dessas duas coisas e com cuidado, com uma lógica implacável , explica o porquê.
Os cristãos acreditam que Cristo foi o melhor e o mais sábio dos homens, e há muitos bons ensinamentos, tais como As Regras de Ouro ( comuns a todas as sociedades humanas desde os tempos imemoriais , aliás ): “fazer aos outros como você gostaria que eles fazer a você”, “não causar sofrimento”, “não julgueis para que não sejais julgados ” – esta não é popular nos tribunais de justiça de todo o mundo -“Não resistais ao mal; mas se alguém te bater na face direita , oferece também a outra” – se os cristãos acreditam que é um bom conselho não há provas, suas vidas comuns nos contam uma outra história , uma história de vingança e constante desrespeito quase total aos ensinamentos de um sujeito considerado por eles “o melhor e mais sábio dos homens”.
Russell prossegue dizendo que , em sua opinião , no entanto concede a Cristo – como descrito nos Evangelhos, já que não há prova consistente de que ele sequer tenha existido – um alto grau de bondade moral, contudo, em matéria de bondade moral, gente domo Confúcio, Lao- Tse, O Buda e até mesmo Sócrates foram superiores a Cristo a neste quesito.

  

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