O mesmo Hobbes que no Leviatã insistirá com tanta ênfase em que “as leis da natureza são contrárias a nossas paixões naturais, as quais nos fazem tender para a parcialidade, o orgulho, a vingança e coisas semelhantes” afirma em Do Cidadão com mais frequência os benefícios da companhia dos homens.
Em meados do século XVII, a Inglaterra era marcada pela tensão entre o poder absolutista dos reis e os anseios liberalistas da burguesia. A disputa resultaria em repressão social, emigração crescente para a América, guerra civil e revolução. Em meio ao caos, Thomas Hobbes descreve, em Do cidadão, uma doutrina baseada no pacto social e nos direitos divino e do governo civil. Hobbes elabora uma filosofia moral e política cujo propósito principal é evitar a guerra. Por muito tempo, essa foi considerada sua obra-prima, até a ascensão do Leviatã. As duas obras, entretanto, complementam-se para o entendimento de seus modelos de política moderna, reestruturação social e obediência à autoridade.
Quantos reis (e quantos homens bons, também), tendo em conta esse erro segundo o qual é legítimo executar um rei tirano, não foram assassinados? Quantas gargantas cortou essa falsa posição, que um príncipe, por certas causas, pode ser por certos homens deposto? E quanto sangue não foi derramado por essa errônea doutrina, segundo a qual os reis não são superiores à multidão, mas apenas seus administradores?

Thomas Hobbes, pensador inglês do século XVII (1588-1679), inaugurou a Filosofia moral e política britânica. Além de teórico social, foi matemático, e suas obras mesclam-se, ainda, à Psicologia e à Física. O Direito ocupou também papel central em obras como Diálogo entre um filósofo e um jurista. Tendo vivenciado o período das guerras civis durante a Revolução Inglesa, suas obras refletem concepções políticas sobre a organização social e a obediência à autoridade. Em Leviatã, lastreado em obras anteriores, como Do cidadão, consolida a sua teoria do contrato social.

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