Kiyozawa Manshi (1863-1903) foi um filósofo de grande importância para a modernidade japonesa por vários motivos. Consciente da necessidade de responder à filosofia feita no Ocidente, Kiyozawa buscou nas fontes japonesas as bases para sua crítica, ao mesmo tempo em que tentou igualmente uma conciliação entre o pensamento oriental e o ocidental. Ele teve também um papel fundamental na reforma e renovação da maior escola buddhista japonesa, a Jōdo Shinshū (Verdadeira Escola da Terra Pura). Por fim, ele tentou articular, filosoficamente, uma das dualidades fundamentais da prática religiosa, a escolha entre um caminho de esforço próprio e um caminho baseado na esperança e na graça vinda de fora.
O Esqueleto de uma Filosofia da Religião se propõe discutir filosoficamente a existência da religião. Kiyozawa Manshi abre o livro com a proposta: “A questão de porque temos uma religião entre nós pode ser explicada de várias formas. Colocando de lado, no momento, as diferentes teorias sobre a origem da religião, dizemos que naturalmente temos uma faculdade ou propensão em nós para fazer surgir o que é chamado de religião. Esta faculdade ou propensão chamamos de faculdade religiosa”.
A abordagem de Kiyozawa em relação à religião começou a tomar forma enquanto ele ensinava filosofia e religião aos alunos da Universidade Shinshū. Na ocasião do Parlamento Mundial das Religiões de 1893 ele escreveu O Esqueleto de uma Filosofia da Religião, que traduziu para o inglês e disseminou durante a conferência. Embora o impacto do texto não seja conhecido, ele é significativo por mostrar a preocupação de Kiyozawa em integrar o Buddhismo no ambiente intelectual e espiritual moderno, colocando-o num contexto universal e interpretando-o sem utilizar das terminologias tradicionais não familiares aos não buddhistas.
Em O Esqueleto de uma Filosofia da Religião, Kiyozawa distingue precisamente entre o infinito e o finito. O infinito, que é um termo abstrato, reflete Amida, que também significa infinito. O infinito ou absoluto não é algo separado de todo o resto, mas, enquanto infinito, ele deve incluir e ser a essência de todas as coisas. Desta forma ele se contrapõe aos conceitos ocidentais de Deus e às teorias do Monismo, tais como ensinadas por Spinoza, mostrando-se como inadequados em termos de espiritualidade.

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