“Não há formação do analista; há formação do inconsciente”, dizia Lacan, para ressaltar que a necessidade de aprendizado e de prestação de contas por parte do psicanalista existe, mas ela é individual e não pode ser padronizada por leis. Numa época em que se discute a possível regulamentação, pelo Estado, da prática profissional do analista, Antonio Quinet afirma que é urgente retomar os fundamentos da Escola de Lacan – espaço coletivo apropriado para a psicanálise por articular formação e experiência analítica.
Em A estranheza da psicanálise, o autor descreve e comenta o funcionamento dessa Escola, percorrendo, uma a uma, as questões cruciais da análise do analista. Nesse percurso, descreve e comenta o projeto original de Lacan ao fundar a Escola Freudiana de Paris, em 1964, situando-a historicamente no movimento psicanalítico; detalha as causas de sua dissolução em 1980, também por iniciativa de Lacan, e as consequências da pluralização de escolas de psicanálise em todo o mundo.
Para o autor, se as várias escolas – como instituição – passam, a de Lacan – como conceito – permanece referência essencial para a formação dos profissionais. Tal conceito é definido por princípios e procedimentos sem os quais perde-se a referência à Escola conforme proposta por Lacan. Além disso, corre-se o risco de formar grupos com estrutura semelhante a dos exércitos e das seitas: sem individualidades, isto é, sem lugar para o inconsciente.

Antonio Quinet é psicanalista, psiquiatra e doutor em filosofia pela Universidade de Paris VIII. É professor do Mestrado de Psicanálise, Saúde e Sociedade da Universidade Veiga de Almeida; pesquisador convidado do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro; e analista membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano. Escreveu, entre outros, o best-seller As 4+1 condições da análise. Diretor da Cia. Inconsciente em Cena, sua peça A lição de Charcot está publicada em livro de mesmo nome.

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