No ano de 1723 começou a circular, na Alemanha, o livro “Breviarium Politicorum”, obra que, sem muita certeza, se atribui ao Cardeal Mazarino.
O Breviário dos Políticos, imputado a Giulio Raimondo Mazzarino, tomado como um manual perfeito para a consecução do poder e contém, em tese, instruções de como conservar essa conquista.
Para a maior parte dos políticos de hoje, seguindo as pegadas de Mazarin, como prefiro grafar, uma vez que entendo ser Mazarin diminutivo de Mazar (ou Mazzar), querem atingir os objetivos pessoais passando por cima de qualquer consideração de ordem moral.
As regras mazarínicas, que resumem seu pensamento, mas que estão presentes em muitos homens e mulheres da vida pública, resumem-se a cinco tópicos: simular, dissimular, não fiar-se em nada, dizer as coisas boas de todo mundo e prever antes de atuar.
Os estudiosos são quase unânimes em afirmar que o livro foi redigido por alguém, da nobreza, que conhecia bem ao Cardeal. Aquele admirador reuniu uma coleção de seus conselhos, de suas ideias além de preceitos deduzidos da maneira de ser de Mazarin.
O livro foi escrito originalmente em Latim e rapidamente obteve traduções para o vernáculo de muitos países.
Esta é uma obra muito apreciada e estudada por cientistas políticos, mas os políticos atuais podem aprender muito pouco com ela, porque tudo sabem sobre corrupção e fraude. As gerações de políticos contemporâneos cultivam uma transmissão tradicional de práticas imorais que fariam o Cardeal “corar” de vergonha: trampos, traições, simulações, astúcia, vigarice, espionagem. Levando em conta tudo isto, conhecendo os políticos como os conhecemos hoje, podemos concluir, após a leitura do texto de Mazarin, que este “não sabia da missa a metade”.
Mas o famoso “Breviário dos Políticos”, que seria uma sinopse, um texto predileto dedicado a políticos, um livro em cabeceira, em fim, não se destina, exclusivamente, a entender a forma de agir dos políticos, mas compreender a funesta natureza humana como um todo.

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