Das mudanças climáticas à degradação dos ecossistemas – a solução para estes problemas poderia residir em uma “valorização” econômica da natureza e dos seus serviços. Mas se os benefícios existenciais que a natureza oferece para a humanidade são expressos em termos de euros e dólares, isso pode realmente dar alguma proteção melhor para a natureza?
A publicação Nova Economia da Natureza de Thomas Fatheuer apresenta uma introdução compreensível ao assunto e esclarece os conceitos e instrumentos que se seguem a partir da ideia de monetarizar a natureza. Exemplos acessíveis mostram os conflitos de objetivos sociais e ecológicos e a poderosa, mas carregada de riscos, influência desta Nova Economia.
A nova economia da natureza coloca fé suprema na racionalidade econômica.
Leva o homo oeconomicus a um novo alcance de natura oeconomica. Mesmo se acreditamos no potencial econômico, esta é uma aposta extremamente arriscada.
A experiência com o carro-chefe de instrumentos econômicos baseados no mercado, o comércio de emissões, mostra que uma quantidade colossal de regulação é necessária a fim de fazer tal instrumento funcionar.
No entanto, muitas das grandes organizações ambientais estão atualmente subscrevendo a esta linha de argumentação e fazendo elogios aos novos instrumentos para a valorização dos serviços ambientais. Uma razão para isso é que os cofres públicos para a conservação da natureza e biodiversidade estão vazios em todo o mundo, apesar da imensa necessidade de financiamento.
Mesmo em um país como a Alemanha, as autoridades para a conservação da natureza são severamente afetadas pela falta de pessoal e orçamento. Escassez de pessoal e subfinanciamento afetam todos os níveis do funcionalismo público para a conservação. Novos instrumentos de mercado são, portanto, saudados como fontes de financiamento inovadoras, capazes de aumentar o apelo da conservação da natureza e da biodiversidade para o setor privado.
Há outros vieses políticos por trás dessa nova onda de valorização da natureza. As principais convenções ambientais firmadas na Cúpula da Terra em 1992 chegaram a um beco sem saída. Da mesma forma, a Convenção sobre a Diversidade Biológica está patinando e suas resoluções apenas estão sendo implementadas em um ritmo muito lento. O novo paradigma que gira em torno do “capital natural” parece mostrar uma maneira de sair deste dilema. Será que “valoração da natureza” faz algum sentido? Onde estas novas abordagens estão indo na direção errada?

Deixe uma resposta