Alice Nataraja Garcia Santos – A Energia Eólica No Litoral Do NE No Brasil

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O governo brasileiro, desejando adequar-se à agenda global de contenção da mudança climática e sobretudo expandir a oferta de energia do país para garantir o crescimento econômico, vem, desde 2002 aperfeiçoando políticas de fomento às fontes renováveis de energia. Estas também são vistas como alternativas à fonte hidrelétrica que representa cerca de 64% na matriz de energia elétrica nacional. Apesar de renovável esta fonte é criticada por depender das chuvas e por causar impactos sócio-ecológicos de alta magnitude.
A energia eólica vem destacando-se devido ao enorme potencial do país, à constante redução do preço MW/hora negociado nos leilões e ao interesse crescente de investidores. Somente no ano de 2012, o BNDES financiou cerca de US $ 1,4 bilhões para parques eólicos. Neste mesmo ano, a capacidade instalada de energia eólica quase dobrou em relação ao ano anterior. Hoje há 180 empreendimentos eólicos em operação no Brasil somando cerca de 3,8 GW de potência instalada fiscalizada pela Aneel. Isso ainda representa apenas cerca de 3% da nossa matriz de energia elétrica, mas a meta do governo é a expansão progressiva do setor.
Esses dados mostram que a política do governo federal vem sendo relativamente bem sucedida em atrair o interesse crescente de investidores – especialmente na costa da região nordeste (NE) que apresenta ótimas características de vento. Entretanto, o que chama a atenção é que lá, o discurso do governo de que parques eólicos geram desenvolvimento sustentável vem sendo questionado por moradores, movimentos sócio-ambientais, pesquisadores, mídia, ONGs e defensores públicos.
Aqui se reconhece o papel importante que a energia eólica tem a desempenhar na matriz energética brasileira enquanto alternativa às fontes de energia fóssil e atômica. No entanto, damos visibilidade a um problema: o modo de implementação dos projetos vem gerando diversos conflitos com populações afetadas indicando casos de injustiça ambiental. Apresentarei alguns resultados de um estudo de caso feito na comunidade do Cumbe (Nordeste (NE), litoral do Estado do Ceará.

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