Este livro, que trata da Memória dos catadores de materiais recicláveis de Assis, tem sua origem em projeto maior, composto de algumas etapas. Uma delas é a elaboração da presente publicação, baseada no depoimento de homens e mulheres que foram entrevistados, por meio de roteiro previamente elaborado para esse fim, e de fotos que registraram a trajetória da Coocassis, de 2001 a 2007.
Os sujeitos que participam dessa pesquisa, em regra esquecidos, anônimos e invisíveis, somente aparecem como números nas estatísticas oficiais que tratam dos contingentes populacionais abaixo da linha da pobreza. Fora dos parâmetros da cidadania e com dificuldades de arranjar trabalho formal, passam a integrar a categoria dos “trabalhadores autônomos” que fazem biscates diversos, tornando-se, alguns deles, nos momentos de desemprego e de total falta de alternativas, em catadores individuais de materiais recicláveis, vivenciando, a partir daí, o estigma da sociedade, por serem confundidos com mendigos ou potenciais malfeitores, submetidos aos olhares de vigilância do entorno.
Neste texto, esses homens e mulheres – que antes integravam o contingente que alimentava as estatísticas da exclusão social, expandindo-se para todas as dimensões das vivências dos envolvidos – deixam de ser apenas um número e passam a contar, em suas narrativas, a luta diária pela sobrevivência em face dos percalços enfrentados na árdua busca de emprego, de qualquer emprego, para garantir a manutenção de si e de sua família.
A discussão avança, com o intuito de reafirmar que tais protagonistas se apresentam carentes de direitos elementares de toda ordem, considerando-se que suas perdas também se deslocam para o próprio banimento em relação ao passado e ao futuro.
Assim, essa reflexão tem em mira trazer para o grupo a dimensão de que, além de “coletar papéis e materiais recicláveis”, esses homens e mulheres têm direito a um passado, como qualquer outro cidadão brasileiro; de partilhar o que é produzido no país, em termos materiais e também culturais; de expressar os seus sonhos e as mazelas de uma vida difícil em meio a tantas carências; de reivindicar e garantir uma vida digna para si e seus filhos.

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