Narrativas da Ditadura Militar apresenta alguns olhares sobre a memória literária dos anos de chumbo no Brasil. A partir desse pequeno livro produzido por alunos da graduação da FALE/UFMG, na disciplina Literatura Brasileira: Narrativas da Ditadura Militar poder-se-ia perguntar: qual pode ser o valor de “explicações”, descrições, de análises ou de interpretações de textos literários diante da violência?
Esses textos que aqui estão passam pela experiência de um tempo em que a literatura brasileira como documento ou ficção foi lavada pelo sangue da tortura não só física, mas também moral e psicológica.
Augusto Boal, Antonio Callado, Carlos Heitor Cony, Caio Fernando Abreu, Raduan Nassar, Renato Pompeu, Renato Tapajós, Zuenir Ventura e Toni Venturi são lidos pela geração que não viveu os anos da Ditadura, mas que através desses autores, da memória presente nesses textos, consegue “ver” o inimaginável. Cenas indescritíveis passam sob os olhos desses jovens que não presenciaram esses tempos sombrios.
Tempo, espaço, pensamento, pathos. Tudo ofuscado pela enormidade maquínica da violência produzida pelo poder existente naquela época, memória que a literatura traz à tona para que não nos esqueçamos.
Era urgente fazer ler esses textos. Nem todas as leituras estão aqui; selecionei as melhores, devido ao pouco número de páginas do Viva Voz.
De qualquer forma essas leituras são representativas e serviram para mostrar a essa geração uma forma de dilaceramento histórico. Lembro aqui, para terminar essa apresentação, um trecho de Hannah Arendt:
De um lado, esse dilaceramento coloca o artista, o poeta e o historiador como “construtores de monumentos” sem os quais a história que os homens contam não sobreviveria nem um instante…
A obra apresenta uma narrativa densa sobre a opressão e a resistência do período da Ditadura Militar no Brasil. Repleta de informatividade, que se alterna entre uma linguagem formal e outra exageradamente rebaixada e por vezes chula, em que o autor descreve a tortura física, psicológica e arbitrária a que foi submetido. Ele externa sua inconformidade diante das condições subumanas e humilhantes por que passou juntamente com outros presos políticos. Baseada em fatos reais, como afirma o próprio
autor: “Mas neste livro nada é mentira […] nada é ficção, é tudo verdade”, podendo então enquadrar-se no gênero relato pessoal.

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