Para expor e discutir a lógica de acumulação do capital-informação, estou, neste livro, sugerindo uma teoria do valor-informação, a partir da teoria marxiana do valor-trabalho. Ou seja, assumindo e reafirmando ser o trabalho a fonte de valorização do capital, tentarei examinar como pode gerar valor o trabalho que tenha por objeto produzir material sígnico, material este que orienta a produção material final nas sociedades capitalistas avançadas.
Como pretendo mostrar, hoje em dia, o trabalho de captar, processar, registrar e comunicar informação, tornou-se fonte direta de produção de riquezas e de acumulação. Assim entendido, a informação obtida pelo trabalho entra em contradição com as relações capitalistas dominantes de produção, daí derivando as questões econômicas e sociais que serão tratadas ao longo do livro.
A pergunta que proponho é: qual a natureza real do processo produtivo nesta sociedade, que vem merecendo tantos nomes quantas são as máscaras atrás das quais a querem esconder? Se ousarmos atacar este problema, talvez comecemos a destrinchar o processo contemporâneo de valorização do capital, esclarecendo-nos a partir daí sobre o que pode ser principal ou secundário nas lutas em que nos empenhamos contra a miséria, as injustiças, a razão cínica, a violência e tantas outras. Para tanto, precisaremos reler, necessariamente rever, às vezes também relembrar a crítica de Marx à Economia Política, mas cuidando de fazê-lo à luz do desenvolvimento contemporâneo deste fenômeno novo ao qual denomino capital-informação.
Adoto em meu estudo, como sempre adotei na vida, o método materialista dialético. E tão somente porque fui guiado pelo método dialético, o meu encontro e débito com o pensamento monista de Atlan seria inevitável. Quando concluí, em 1994, a dissertação de mestrado que deu origem a este livro, ainda não lera e desconhecia completamente o livro de Sfez (cuja primeira edição francesa é do mesmo ano). Foi, portanto, a posteriori que confirmei encontrar-me em tão distinta companhia. Cheguei a Atlan através de leituras em Dupuy e em Laborit. Nestes todos divisei um claro caminho para alcançar uma compreensão básica da informação como um processo (biológico e social) que articula e relaciona os elementos do Universo em sua totalidade. Então, armado com a Dialética, pude buscar as demais relações que existiriam entre os diversos aspectos através dos quais identificamos, discutimos ou conhecemos o fenômeno informacional.

   

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