Nesta conferência realizada no Teatro Lírico do Rio de Janeiro em 20 de março de 1919, Rui Barbosa tratou sobre a questão social e política no Brasil, dirigindo seu discurso à classe operária.
Nesse discurso, definiu o trabalho como algo sagrado e não como um castigo. Tudo o que nascia do trabalho era bom, justo e útil, e a ele cabia a primazia incontestável sobre a riqueza e o capital.
Ele criticou os políticos que não aceitavam a intervenção do Estado na relação do capital e do trabalho, chamou-os de nefelibatas por pensarem dessa forma, diante das transformações que ocorriam no mundo, principalmente, com o avanço do socialismo.
Criticou também aqueles que, em quase trinta anos de poder, nada tinham feito pela causa dos operários. Entendia que a sorte do trabalho era a sorte da indústria e da agricultura – portanto, a sorte do país como um todo – e que nada havia sido feito no sentido de melhorar as condições de vida e de trabalho da classe operária.
Rui Barbosa, nesse discurso, retratou as condições de trabalho e de vida dos operários brasileiros. Descreveu as péssimas condições de moradia dos trabalhadores das fábricas do país.
Tratou sobre o trabalho infantil. Enfatizou que as crianças, desde os sete anos, já trabalhavam nas fábricas e não havia piedade para com elas; eram sobrecarregadas com trabalhos que excediam às suas forças e não recebiam nenhum tipo de ensino profissional.
Elas se equiparavam aos adultos no trabalho, e até mesmo os menores de catorze e dez anos seguiam o ritmo dos adultos ; porém, quanto ao salário, isso não ocorria. Assim como os maiores, os menores concorriam aos serões e trabalhavam habitualmente de nove a dez horas por dia.
Rui Barbosa tratou, também, do trabalho feminino nas fábricas brasileiras, pois as mulheres realizavam trabalhos tão árduos quanto os homens, porém recebiam salários bem menores, e assim como as crianças e os homens, trabalhavam mais de oito horas por dia.
Nessa época, a jornada de oito horas diárias de trabalho já era adotada na Europa.
Rui referiu-se também à situação das mães operárias, que não eram respeitadas pela indústria brasileira.
Elas não tinham licença-maternidade e trabalhavam até dias antes do parto, sendo descontados do salário os dias em que não trabalhavam, quando não eram despedidas.

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