Já no título deste livro — Uma revolução perdida —, Daniel Aarão Reis deixa-nos entrever a mensagem que envia aos leitores: uma revolução apenas, caro leitor, mesmo que se a considere como a mais importante de todas; mas, nunca, a revolução enquanto possibilidade, pois esta sobrevive, como sempre, plantada no nosso horizonte de expectativas, pouco importando, agora, se como utopia ou não.
Ao recortar a história de uma certa revolução, Uma revolução perdida permite-nos, ao mesmo tempo, conhecer melhor certos acontecimentos e compreendê-los em si mesmos.
Enriquece-nos com as linhas mestras do curso histórico de uma das maiores experiências humanas deste século; leva-nos à compreensão do como e do porquê do fracasso do fantástico sonho socialista de 1917 — como veio ele a desembocar nas incertezas e decepções atuais? Cabe aí a velha pergunta: a culpa foi do próprio sonho ou foi daqueles que não souberam interpretá-lo — e assim o transformaram em pesadelo quase inenarrável?
O autor de Uma revolução perdida é professor titular de história contemporânea do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), tendo publicado diversos textos sobre temas desta área.
Talvez seja esta, aliás, a marca que hoje o distingue da maioria dos docentes que ocupam posições equivalentes a sua. Ao ler seus trabalhos, não consigo evitar a sensação gratificante de que nem tudo está pendido, de que o trabalho desenvolvido na área de história moderna e contemporânea da antiga Faculdade Nacional de Filosofia (com Maria Yedda Linhares) e na própria Universidade Federal Fluminense, não foi em vão.
Pode parecer uma apologia do óbvio, mas como é raro um titular de história contemporânea que conhece, estuda, pesquisa e escreve sobre… história contemporânea! Habituamo-nos já, há tantos anos, aos titulares de história contemporânea — e de moderna — que só trabalham com a história do Brasil, que quase nos havíamos esquecido da razão de ser de uma disciplina de história contemporânea nos currículos de graduação!
Daniel Aarão Reis lembra-nos então que a formação do profissional de história não pode — ou não deveria — ser monodisciplinar. Sem pretender com tal afirmação fazer qualquer tipo de restrição às disciplinas de história do Brasil, minhas observações tentam somente sublinhar a necessidade de uma perspectiva histórica ampla, não ensimesmada ou autista, dos processos históricos ocidentais e globais.

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