Mark Twain – Patriotas E Traidores

Patriotas E Traidores explora aspecto pouco conhecido da vida e da obra do autor de As Aventuras de Tom Sawyer e de seu amigo Huckleberry Finn, além de outras obras como Um Ianque de Connecticut na Corte do Rei Artur e O Príncipe e o Plebeu. “Eu me recuso a aceitar que a águia crave suas garras em outras terras”, disse Mark Twain em entrevista, comentando a tomada das Filipinas pelo exército norte-americano, referindo-se a um dos símbolos mais conhecidos do país do Norte. Nada podia sintetizar melhor a natureza de seu pensamento, em que as considerações políticas estão inextrincavelmente imbricadas com a ética. Tornou-se ele um militante acendrado contra todos os imperialismos do fim do século XIX e do começo do XX, inclusive o que partia do próprio país natal. Escreveu, deu conferências, publicou relatos de viagens, deu entrevistas incansavelmente sobre o tema a partir da tomada de Cuba pelos norte-americanos em 1898. Foi duramente atacado por isso, considerado traidor de sua pátria e não poucas vezes teve de se defender pelos jornais. Houve até casos de censura de seus escritos, e isso quando ele já era autor consagrado e dos mais conhecidos e louvados no mundo inteiro. Nada abateu ou fez arrefecer seu ânimo, e ele prosseguiu em sua militância até a morte, em 1910, quando completava 75 anos de idade.
Mark Twain não “nasceu” antiimperialista. Quando da intervenção dos Estados Unidos em Cuba, depois do episódio suspeito da explosão do navio Maine1 no porto de Havana, o escritor apoiou a atitude do governo de seu país. Pensava que os Estados Unidos davam contribuição significativa para pôr um fim à dominação de outras terras pelas potências européias, e que isso estava de acordo com as tradições libertárias que haviam levado as originalmente treze colônias à independência no século XVIII. Nem mesmo a política de anexação territorial, que fez os Estados Unidos apossar-se de vastos territórios que a rigor deveriam pertencer ao México, demoveu-o da fé de que em seu país prevaleciam os ideais de Washington.
Entretanto foi o acordo firmado com a Espanha naquele mesmo ano que despertou a consciência do escritor para o fato de que os motivos que animavam o governo norte-americano nada tinham de libertá­rios. Ao invés disso, os Estados Unidos estavam, isso sim, se candidatando a ter seu quinhão no seleto clube de nações imperialistas que, naquele momento, espalhava suas tropas, seus domínios, seus produtos e sua coleta de matérias-primas pelo mundo inteiro.

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