Combate nas trevas é a história da esquerda brasileira que pegou em armas contra os governos ditatoriais instalados no Brasil a partir de 1964.
A formação dos vários grupos e partidos, suas dissidências e frequentes “rachas”, assim como os motivos que os levaram à luta e à derrota, são analisados de forma objetiva e sistemática.
O autor Jacob Gorender não é apenas um intelectual brilhante, mas foi um participante ativo daqueles acontecimentos como ex-membro do Comitê Central do PCB e fundador do PCBR.
Baseada em exaustiva pesquisa e inúmeras entrevistas com ex-militantes, Combate nas trevas faz revelações inéditas e apresenta novas versões de acontecimentos marcantes, entre eles a morte de Marighella e o atentado contra a comitiva do general Costa e Silva no aeroporto do Recife.
A tortura praticada pelos órgãos de repressão e os “justiçamentos” da esquerda contra seus inimigos e os próprios companheiros são analisados de forma serena, mas nem por isso fazendo concessões, por Gorender, que não hesita em desmitificar figuras hoje tidas como heróis, tanto por uns como por outros.
Combate nas trevas é um livro imprescindível para quem quer conhecer este período de trevas cujos reflexos sentimos até hoje. Só mesmo um combatente teria a garra necessária para buscar arquivos até então inacessíveis, ler dezenas de tediosos processos e fazer um grande número de entrevistas com pessoas das mais diferentes partes do Brasil que de um modo ou de outro participaram dos acontecimentos aqui narrados.
Na verdade, é o combate que trava o verdadeiro pesquisador, aparentemente contraditórios: a garra do combatente e a serenidade do historiador. Como historiador, Gorender mantém uma distância dos fatos que a objetividade do cientista exige, mesmo daqueles em que participa de forma dramática. Em nenhum momento se deixa envolver por sentimentos pessoais, e se alguns personagens saem engrandecidos ou diminuídos do livro não é por obra do autor, mas única e exclusivamente devido a sua atuação histórica apresentada sempre de forma objetiva e documentada.
Finalmente é indispensável que se diga: Jacob Gorender não se enquadra, como bom marxista, em nenhuma das seitas ideológicas que se constituíram tendo como pressuposto a teoria de Marx.
Fica claro que Gorender tem no marxismo uma ferramenta teórica de análise da realidade e de orientação da prática política. Seu marxismo é algo vivo, enquanto teoria comprometida com a busca permanente da verdade, dialeticamente ligado à realidade histórica, e não um simples conjunto de fórmulas ou receitas prontas e fáceis.

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