Cristovam Buarque – O Que É Educacionismo

Educacionismo é um termo que expressa uma concepção construída no século XIX por Piotr Kropotkin, visando uma “transformação social através da educação”, cuja tese central afirma que a educação tem um papel social de tal transcendência, que a ela se atribui a função de transformar a sociedade.
Para Kropotkin, o povo somente poderia emancipar-se por meio da educação intelectual e moral e, em sua concepção, o resultado disso seria uma evolução para o comunismo.
Contudo, o termo não teve origem e nem foi utilizado apenas por uma ideologia política específica.
O educacionismo considera que a civilização industrial caminha para uma catástrofe, pois desiguala seus indivíduos de degrada o Meio Ambiente. E o caminho para interromper esta marcha exige substituir a utopia da igualdade na economia para a igualdade na educação- o filho de trabalhador na mesma escola do filho do patrão. Recusando aceitar a marcha ao colapso ético, social e ecológico e instituído na busca de uma sociedade equilibrada, defende a reorientação do projeto civilizatório para assegurar a mesma chance- entre classes, pela igualdade na educação, e entre gerações, por um desenvolvimento sustentado. Sua proposta toma e educação como o motor e propósito de uma nova utopia.
Cristovam Buarque apresenta o educacionismo com seu habitual estilo — utópico, mas sensato; contundente, mas não apocalíptico (ainda que o colapso esteja batendo às portas). E o contrapõe a outros “ismos”: o economicismo, o neoliberalismo, o materialismo…
Didaticamente o autor vai mostrando que o educacionismo, segundo sua concepção, é uma doutrina que vê a educação como possibilidade de conexão com o mundo, para além dos laços meramente econômicos; como forma de entender o mundo, para além da lógica do domínio e da exploração; como forma de promover o ser humano, para além da mentalidade baseada na competição e no sucesso egoísta.
Claro, sempre haverá quem ponha em xeque essas grandes intenções, por não acreditar nos poderes da educação. Ou por acreditar que vale a pena investir em outras urgências, como salvar bancos ou fazer propaganda política. Cristovam Buarque escapa e contra-ataca, elogiando a revolução educacionista, e enfatizando que o trabalho do professor, do educador, precisa ser garantido e valorizado. Este mesmo educador educacionista, no entanto, não poderá exigir-se menos. Se merece ser apoiado e (vamos ao concreto) receber um salário melhor, trabalhar em condições melhores, também dele esperamos novas atitudes, novo comportamento.

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