Não se escreve apenas com palavras. As imagens também podem ser instrumentos poderosos na elaboração de textos antropológicos, com grande capacidade de difusão de ideias.
Mas como ensinar a “escrever” textos imagéticos? Esta é a questão central a que responde o livro organizado por Ana Lúcia Camargo Ferraz e João Martinho de Mendonça.
Responde por meio de textos de antropólogas brasileiras, estrangeiras e de estrangeiros que atuam em instituições brasileiras.
Desnecessário dizer que a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) teve papel significativo na consolidação dessa importante área que é a Antropologia Visual e tem realizado ações que lhe ajudaram a se consolidar e a se expandir.
Por exemplo, a ABA mantém uma rede das mais ativas, reunida no Comitê de Antropologia Visual. Criou o prêmio Pierre Verger, que, em 2014, está na sua 10ª edição para filmes e na 7ª edição para ensaios fotográficos.
E também em 2014 colocou no ar a TV ABA, canal de divulgação na internet da ampla produção de Antropologia Visual, um antigo sonho das “antropólogas visuais”, como são identificadas as que atuam nesse campo.
Boa parte do sucesso de AV no Brasil se deve a sua eficiente organização que integra os diversos núcleos e laboratórios em uma rede. Cada um dos laboratórios e núcleos no país escolheu caminhos próprios, fez escolhas de objetos, de campos de pesquisa, de estilos de fazer Antropologia Visual.
Mas como se ensina Antropologia Visual? As respostas são múltiplas, pois, mais do que um manual para treinar novas professoras, o livro se propõe a contrapor diversas estratégias numa polifonia teórica, didática, de práticas.
Ninguém contestaria que bem lidar com as palavras, que são nosso instrumento na Antropologia Textual, ou seja, em uma relação próxima com a literatura, pode ajudar no texto escrito.
Do mesmo modo, na construção do texto imagético ajuda muito conhecer bem os instrumentos de captação da imagem, a linguagem do cinema e da fotografia, trabalhar com um bom material.
Porém, nunca é demais lembrar, os instrumentos não devem ser empecilhos – não são as melhores filmadoras que produzirão necessariamente os melhores filmes.

   

Deixe uma resposta