Os doze textos publicados neste livro foram originalmente apresentados no II Seminário Nacional de Epistemologia da Comunicação, ocorrido no dia 30 de março de 2015, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da Universidade de São Paulo, numa realização conjunta da AssIBERCOM – Associação Ibero-Americana de Comunicação, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo – ECA-USP, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo – PPGCOM/USP e da Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação – Socicom. O seminário foi um evento prévio ao XIV Congresso Ibero-americano de Comunicação – IBERCOM 2015 e pretendeu ser uma retomada e continuação do seminário realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da USP, em conjunto com a COMPÓS, em 2002, por ocasião dos 30 anos desse Programa e que marcou época no campo da Comunicação. Respondia, então, a uma demanda ainda embrionária de debates sobre o tema da epistemologia da Comunicação.
Hoje, mais de 10 anos depois, verifica-se ter sido notável o crescimento das análises crítico-reflexivas sobre as práticas da pesquisa e dos estudos na área. Elas têm se mostrado não somente úteis, mas principalmente indispensáveis, pois traduzem a reflexão de uma ciência sobre si própria e contribuem para aclarar seu campo de atuação, seus procedimentos, o valor de seus resultados e o âmbito de suas possibilidades. Se, por um lado, essas análises são sinais de maturidade do campo, por outro, reproduzem-se críticas e insatisfações com o estado atual do campo. Deste modo, este II Seminário criou uma oportunidade de avançar nessas discussões reflexivas propondo a sistematização dos trabalhos de reconhecidos pesquisadores de temas epistemológicos no campo.
O tema central, A epistemologia da Comunicação no Brasil: trajetórias autorreflexivas, propôs um ângulo específico e inédito que foi o da autorreflexão feita pelo próprio autor sobre seus trabalhos epistemológicos em comunicação. Tal proposição vai ao encontro das abordagens epistêmicas contemporâneas que, na relação Sujeito-Objeto, problematizam, questionam, reveem principalmente a figura do Sujeito: o olhar e o habitus intelectual; as decisões, escolhas, valores e subjetividade, entre outros aspectos. Tais premissas conduziram os investigadores convidados à autocrítica e à crítica da ciência aberta às suas condições de produção, que são tanto sociais como científicas e individuais, conforme as apresentações realizadas nas quatro mesas temáticas do evento reproduzidas na estrutura deste volume.

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