Francisco Rüdiger dá prosseguimento neste volume aos estudos que vem apreendendo há algum tempo com o objetivo de compreender criticamente o pensamento sobre subjetividade e os princípios de articulação da experiência na sociedade social avançada, marcada pelo fetichismo da mercadoria, o desenvolvimento tecnocrático e o nivelamento das formas de vistas societárias. Depois de Literatura de auto-ajuda e individualismo e de comunicação e teoria critica da sociedade, trata-se agora de examinar o alcance mas, também e sobretudo os limites e prejuízos de uma dos novos representantes de o que poderíamos chamar , na esteira de um critico brasileiro, de a ideologia francesa.

Concretizo neste volume um desejo de muitos anos e que era o de retomar, revisar e pôr em dia com as ideias do autor um pequeno trabalho redigido no apagar das luzes dos anos 80 sobre a teoria social do pensador francês contemporâneo Michel Maffesoli.
O confronto que se ensaia nestas páginas, poderão averiguar os leitores, é, do ponto de vista epistêmico, o da teoria social crítica com uma variante da sociologia compreensiva, entre pensamento histórico dialético e pensamento fenomenológico formista. Quem sabe fosse o caso de levá-lo para o plano da visão política. A contraposição mediada crítica e dialeticamente entre progresso e reação todavia não seria justa com quem, ao menos em teoria, até aqui postulou a saturação do político e pretende que esse último está por se dissolver no ideal comunitário.
Embora sejam diferentes as razões, resta que tanto uma quanto a outra polêmica parecem-me de todo modo em situação difícil diante das perspectivas que, no limite da especulação, o progresso tecnológico coloca à vida social; mas sendo ainda o capitalismo nosso horizonte temporal de existência, tanto uma quanto a outra discussão revelam pertinência, ainda que não total, como pretendo argumentar relativamente à primeira ao longo destas páginas, desde o ponto de vista de uma teoria crítica da sociedade.
Michel Maffesoli prova que o pensamento pós-moderno, como esse tempo mesmo, não pode ser visto de maneira linear, na medida em que enseja uma variedade de tendências intelectuais muito difícil de resumir em termos classificatórios, ao converter, como faz o autor em foco, “a cotidianidade em jaula de ouro dos desencantados com a modernidade”, para valermo-nos de palavras do espanhol Carlos Diaz.

Deixe uma resposta