Gravidez e maternidade na adolescência. A autora fala de um fato universal na vida humana, singular na vida da mulher – a gravidez, situando-o em relação ao desejo e aos delicados processos psíquicos que formam as bases para a construção da posição materna. Diferencia o ser mãe biológica e juridicamente – o laço biológico e de parentesco que une o filho à mãe, e a maternidade como sentimento amoroso e responsável deste elo, apresentando conceitos e hipóteses psicanalíticas que fundamentam esta distinção e o que torna possível e impossível a maternidade, refletindo sobre as particularidades do processo em adolescentes.
Na maternidade, tem-se a qualidade e a condição de ser mãe.
Cuidado, acolhimento, um imenso prazer em compartilhar foi a primeira resposta que obtive quando perguntei para uma adolescente (que só pretende ser mãe mais tarde…) quais as palavras que melhor caracterizam a maternidade.
Muito amor; para ser responsável por um ser humano a mulher precisa de muita força na cabeça e no coração, respondeu-me uma senhora, profissional de salário mínimo, uma dessas heroínas anônimas, mãe/pai responsável por duas filhas.
Limitando-me a essas duas rápidas respostas tem-se algumas das qualidades da posição materna, um lugar que é construído pela mulher ao longo do seu percurso existencial, cujos pontos nodais são discutidos, com a terminologia psicanalítica Lacaniana, nesta obra para os iniciados na psicanálise, e que merece uma segunda versão para os usuários dos serviços de orientação à mãe adolescente, população que motivou a autora a empreender uma reflexão sobre a paradoxal situação do ser mãe e não querer e não poder ser mãe.
Contrapondo com nossa primeira informal entrevistada que situa a maternidade em um momento em seu futuro, quando terá condições de cuidar e acolher um bebê, para as adolescentes objeto da pesquisa o seu futuro não é um momento na evolução do seu processo de estruturação, visto que o seu presente é marcado por falhas estruturais profundas. Como planejar a sua vida e ter condições de situar uma gravidez como um sonho futuro, se o seu presente não lhe permite visualizar realizações futuras? Como questiona a autora no final do capítulo sobre maternidade e Édipo, como fica a gravidez para as adolescentes a partir de 13-14 anos, idade onde a puberdade está se instalando, com todas as modificações que isto implica ao corpo, e como estão elas do ponto de vista de sua subjetividade, frente à maternidade que se aproxima?

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