O tempo – motor causante de toda a História – é o domínio sobre o qual muitos estudiosos de diversas áreas do conhecimento se têm debruçado incessantemente à procura de interpretações para os mais variados aspectos relacionados com a longa jornada humana.
Conquanto muito já se tenha conseguido desvendar sobre o distante passado, algumas informações concernentes a alguns períodos históricos são – assim como o horizonte impreciso cuja visão a fraca luz e a distância obturam – ainda bastante assistemáticas ou diluídas, nomeadamente em relação à trajetória das línguas naturais e mais especificamente em relação à história da língua portuguesa.
Ao eleger, como arco de tempo de estudo da história do português, suas origens, no período arcaico (cujos primeiros registros escritos remontam aos inícios do século XIII, ou, como pretendem alguns, recentemente, demonstrar, aos finais dos anos duzentos), até o século XVI e, a partir daí, infletir para o português brasileiro, o grupo de pesquisa PROHPOR – Programa para a História da Língua Portuguesa tem, renovadamente, procurado priorizar outros ângulos de observação para uma tentativa de reconstrução, mesmo que aproximativa – como de fato deveriam ser consideradas, pelo bom senso, todas as tentativas de interpretação de dados lingüísticos – de cada uma das sincronias do período temporal com que trabalha.
Embora tenha sido o século XVI um dos séculos mais focalizados por historiadores e especialistas em estudos da cultura (entre esses os literários), os estudos de natureza lingüística têm se concentrado preponderantemente sobre o período arcaico da língua portuguesa ou sobre suas manifestações mais recentes na história do português brasileiro e de certa forma sobre o europeu.
Não obstante, o lapso de tempo que compreende o período entre os séculos XVI e XIX ainda demanda muito de toda investigação linguística que se tem empreendido, para que se possa compor um quadro histórico talvez menos incompleto com o que se depara hoje a língua portuguesa, mais especificamente seu processo de constituição na história.
Não se pode, todavia, ignorar que algumas relevantes contribuições, especificamente sobre o século XVI, já foram implementadas por alguns pesquisadores da língua, nomeadamente no âmbito da grafia, do léxico, do sistema vocálico ou mesmo de seus aspectos morfológicos, tendo, entrementes, restado, até o momento, a morfossintaxe e a sintaxe quinhentistas à espera de novas pesquisas e de novos autores.

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