Luci Collin – A Árvore Todas: Contos

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Quem é você, Luci Collin?
Que domínio é esse que você tem sobre as palavras? Que palavras são essas que você usa? De onde as tira, de que mistério você as traz para nos preparar armadilhas?
O que você quer de nós ao nos propor esses universos feitos de palavras enlouquecidas, vindas à luz de que maneira, hein, me conta?
Ler você é o quê? Um alumbramento?
É também participar de uma travessura porque sempre lá está seu olho piscando, como se dissesse: Veja o que fiz. Não é hilariante?
Você não respeita nada, respeita?
Nos leva pela coleirinha a mundos surreais, e ainda dá-se ao luxo de ser engraçada
Dá-se ao luxo de ser irônica, sarcástica, desconcertante. De nos desassossegar. Você foi prima de Ionesco, tia do Jarry, contraparente do Joyce?
Toma tento, menina, você anda se divertindo demais. Sua única justificativa, reconheço, é que também anda nos divertindo muito, obrigada.
Meu palpite é que você ousou entrar na casa da literatura pela porta mais legítima, a da liberdade, e pôs a imaginação e a poesia dançando com as palavras. Um caminho que poderia ser bem solitário, não fosse a graça com que você as coloca para dançar, não fosse sua capacidade de nos puxar e nos arrastar para dentro de seus ritmos, suas palavras pulsantes, sua harmonia feita de notas que são só suas (se é que posso dizer isso, posso?)
Que mistérios tem você, Luci Collin?
Seu livro deveria ser indicado para todos aqueles que adoram cercear a inventividade, impor limites, criar cercas. E também indicado para todos aqueles que, ao contrário, adoram acompanhar as impossíveis belezas criadas pela imaginação de um poeta, suas zonas sem fronteira e sem dono.
Decifrei-te, Luci Collin.
Mesmo quando é contista e romancista, você é sobretudo poeta.
Maga da invenção e da palavra.
E cabe agora a você, leitor/leitora, também entrar na dança que ela criou.
Entrar de mente e coração abertos neste pequeno reino inovador e livre.
Encontrar suas pérolas.

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