Foi com a dificuldade peculiar a um estrangeiro que o belga Jacques Rogge, então presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), pronunciou para o mundo todo ouvir as sílabas de “Rio de Janeiro”, em outubro de 2009.
Diante da imagem de um pedaço de papel, políticos e ex-atletas se abraçavam em júbilo, como numa cerimônia de Oscar, e uma multidão reunida na praia de Copacabana vibrava com a revelação de que, sim, pela primeira vez uma cidade da América do Sul sediaria uma Olimpíada.
Havia muito tempo para a Cidade Maravilhosa se preparar e se transformar em uma Cidade Olímpica. Era um sonho.
E o que poderia dar errado? Desde 2005, com a escolha do Rio como sede para os Jogos Pan-Americanos, acompanhamos os impactos sociais e econômicos dos megaeventos no Rio, produzindo estudos, cartilhas e apoiando articulações da sociedade civil críticas a esse modelo predador de negócios.
O esforço do Instituto Pacs com a publicação de Rio Olímpico: Qual O Legado Um Ano Depois Dos Jogos?, escrita com a ajuda de parceiros e parceiras, é mostrar uma fotografia breve do momento pós-Olímpico em forma de um mosaico de temas. A intenção é tornar públicos tópicos relevantes que provoquem discussões, análises e pesquisas críticas aprofundadas sobre a distância entre o legado prometido e a realidade posta para quem vive a cidade no cotidiano. Existe legado? Para quem? Esperamos que estas páginas ajudem a responder estas perguntas e a formular outras.
Ao fim, trazemos um resumo, em forma de ironia, espécie de “receita às avessas”, de como NÃO fazer uma Olimpíada. A lista resume, assim, o que uma cidade-sede deve fazer para não penalizar cidadãos e cidadãs em benefício de um evento privado.
Hoje o Rio vive o pesadelo e a ressaca nascidos do sonho de tornar-se uma cidade olímpica. Desde antes de os últimos atletas deixarem a cidade, cheios de sorrisos e medalhas, no ano passado, a população da cidade sofre as consequências de um evento privado, lucrativo somente para quem organiza, mas com impactos desastrosos e duradouros para a população da cidade, a quem cabe pagar a conta de uma festa cara – e para poucos.

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