Durante séculos os filósofos tentaram responder às questões: O que é a mente? O que caracteriza os fenômenos mentais? O mesmo ocorre com quase todas as religiões que conhecemos. Todas elas referem-se à mente às vezes como “espírito” ou como “alma” – algo que teria propriedades especiais e que continuaria subsistindo mesmo após a nossa morte.
Na verdade, falar de “mente” ou de “fenômenos mentais” ainda é uma coisa que nos causa tanta estranheza quanto falar de OVNIs ou da existência de criaturas extraterrestres. A mente sempre foi um enigma, talvez pelo fato de os fenômenos mentais serem invisíveis e inacessíveis para nós. A ciência de que dispomos até hoje não parece ter auxiliado muito na tentativa de encontrar uma resposta para essas questões. A Psicologia quer fazer uma ciência da mente, desenvolveu testes e teorias acerca do funcionamento mental do homem e de alguns animais. Mas os psicólogos nunca chegaram a um consenso sobre o que é a mente e sobre o que eles estão falando. Há não muito tempo havia psicólogos que nem sequer reconheciam a existência da mente ou dos fenômenos mentais, embora se declarassem estudiosos de Psicologia. Estranhas criaturas, que nem sequer sabiam que sonhavam!
Por outro lado, nos últimos anos presenciamos um imenso desenvolvimento da Neurofisiologia e das chamadas “ciências de cérebro”. Mas será que essas ciências podem nos ajudar a encontrar uma resposta para tais questões? Podemos até imaginar um neurocirurgião abrindo a cabeça de alguém e examinando seu cérebro: certamente ele verá muitas células nervosas, mas nunca verá uma ideia, um sentimento ou uma emoção. Talvez esta seja uma maneira de caracterizar a natureza dos fenômenos mentais: eles são invisíveis. Mas será esta uma boa caracterização?
Os átomos também são invisíveis. Entretanto seria difícil dizer que átomos são fenômenos mentais apenas porque não podemos observá-los. A diferença estaria no fato de que os átomos são invisíveis, mas isto não significa que um dia eles não possam ser observados. Através de um supermicroscópios eletrônico, que poderia se construído no futuro — quem sabe? O mesmo não ocorreria com os fenômenos mentais. Assim, parece absurdo supor que um dia, mesmo com um supermicroscópio eletrônico, poderemos observar uma ideia, um sentimento ou uma emoção.

  

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