Doralice Sátyro Maia & Outros – Centro E Centralidade Em Cidades Médias

Centro e centralidade em cidades médias, organizado por três geógrafos da Rede de Pesquisadores sobre Cidades Médias (ReCiMe), constitui uma grande contribuição em vários aspectos.
Primeiramente, cidades médias brasileiras em contextos espaciais distintos são analisadas sugerindo semelhanças e diferenças a partir de um mesmo tema: centralidades.
Em segundo lugar, os três estudos que compõem o livro entrelaçam-se ao abordar as relações entre processos e formas espaciais, constituindo, na sequência em que foram apresentados, uma análise diacrônica envolvendo tempos distintos. Os centros analisados individualmente podem ser vistos como manifestações de um processo geral que produziu uma forma geral.
Singular e particular, é como se cada cidade analisada não falasse apenas de si própria, mas também das outras, pois a dinâmica da centralidade e do centro por ela criado responde a um processo geral que se reflete em várias cidades, aqui consideradas cidades de uma mesma família conceitual, as cidades médias.
Em terceiro lugar, a obra contribui para a compreensão das complexas relações entre processos e formas, relações que envolvem mudanças e permanências, continuidades e descontinuidades, assim como ressignificação das formas criadas no passado e, no limite, o seu desaparecimento.
A formação do centro, sua consolidação e apogeu e suas transformações em novos modelos organizacionais das atividades terciárias no espaço urbano constituem uma sequência que se faz presente em diversas cidades.
O olhar de cada um dos autores, aparentemente dispersos em termos temporais e das formas espaciais criadas em cada tempo, revela uma mesma visão tríplice de processos e formas analisados diacronicamente. Uma rica e rara convergência de três olhares.
Compete ao leitor mergulhar em uma leitura valorizando a diferença, olhando os três estudos como se fossem uma diacronia de um mesmo processo-forma. É nessa direção que as cidades médias podem ser conhecidas como um conceito, portador de semelhanças e diferenças, mas passível de inteligibilidade.
A gênese, dinâmica e significados dos processos e formas espaciais estão inseridos no tempo e no espaço, sendo qualificadas por eles e ao mesmo tempo qualificando-os. As relações tempo e espaço são complexas e, via de regra, são evidenciadas a posteriori, ainda que esforços à previsibilidade tenham sido feitos por inúmeros cientistas sociais, aí incluindo-se os geógrafos, que, no entanto, privilegiaram o espaço em detrimento do tempo, este sendo considerado por meio de narrativas cronológicas.

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