João Guimarães Rosa – Manuelzão E Miguilim

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O foco da obra de Guimarães Rosa Manuelzão e Miguilim é a infância, o menino (Miguilim), o qual olhou o mundo dos adultos e chegou à conclusão de que não queria fazer
parte do mesmo, representando uma dualidade entre dois mundos (Criança X Adulto), Miguilim observa seu irmão, Dito, como um conhecedor da verdade. Segundo
Rubem Alves, “O sábio é um adulto com olhos de criança”, sendo uma provável justificativa sobre a vontade do menino em se preservar como uma eterna criança. O texto tem a estrutura de uma tragédia grega, uma vez que há um triângulo
amoroso entre a mãe de Miguilim (Nhanina), o pai do garoto (NhôBéro) e o Tio Terêz.
E o sofrimento do menino com o pai, vinha por este ter dúvida se o garoto era ou não seu filho.
A morte é um dos temas centrais de Guimarães Rosa, e que se faz presente nesta história, através da perda da cadela Pingo de Ouro e do Dito, sendo dores muito fortes para Miguilim, as quais representam um aprendizado, pois tais sofrimentos o tornam mais maduro e forte. Há intertextualidades ao longo da história, como dos personagens do Tio Terêz e do pai de Miguilim, os quais tinham ódio um pelo outro, com a história bíblica de Caim e Abel, narrada no livro de Gênesis e que teria sido o primeiro homicídio da humanidade. Os óculos no final da história permitiram a visão de uma nova vida para Miguilim, já que, como diz Rubem Alves “ É através dos olhos que as crianças tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo”. Miguilim deixa uma vida de cegueira e escuridão, para visualizar uma vida de luz, uma vida melhor, o que também nos remete a obra “Ensaio sobre a cegueira”, do autor português José Saramago.
Recomenda-se a leitura desta obra, em especial para aqueles que buscam entender um romance de cunho sertanejo, o qual leva os leitores a uma crítica e reflexão. O objetivo primaz desta obra foi de escrever temas complexos como a infância, amor, família, dentre
outros. É um livro curto, no qual esmiuçou uma linguagem extremamente poética, filosófica e oral, com notável aspecto regionalista. Essa leitura é imprescindível para estudantes de graduação e pós-graduação que vislumbram aprofundar nos estudos literários e geográficos.
O autor preocupou-se com uso adequado da linguagem regionalista, ousando utilizar termos próprios do sertão, além de fazer um excelente encadeamento de temas e parágrafos, deixando a leitura agradável e rica. É uma obra prazerosa, porque apresenta uma linguagem de fácil entendimento, repousando-se em uma ideia filosófica e sociológica.

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