A produção deste livro coincidiu com o julgamento do mensalão. Esta obra começou a nascer em 15 de agosto de 2012, quando foi realizado, em São Paulo, o seminário internacional “O Impacto da Corrupção sobre o Desenvolvimento”, promovido pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e com apoio do jornal Valor Econômico.
Nesse dia, o longo processo que transcorreria no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, mal tinha começado para valer. A primeira sessão ocorrera duas semanas antes, mas, além de desentendimentos públicos entre os ministros relator e revisor, pouco se havia avançado. Só no dia seguinte, 16 de agosto, a sociedade brasileira teria o primeiro indício sobre os rumos do julgamento. Na mesma data em que jornais noticiavam o evento do ETCO, o relator, Joaquim Barbosa, dava o seu primeiro voto, condenando o Deputado João Paulo Cunha (PT-SP) e o empresário Marcos Valério.
O julgamento, o mais longo da história do STF, capturou a atenção da sociedade. Até o encerramento, em 17 de dezembro – quando também se colocou o ponto final neste livro –, foram 138 dias de trabalhos quase ininterruptos, com a realização de 53 sessões. A conclusão da corte é que o mensalão, revelado em 2005, foi um esquema de compra de apoio parlamentar no primeiro governo Lula. No fim, foram condenadas 25 das quase 40 pessoas denunciadas, entre elas José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, e José Genoino, ex-presidente do PT. As penas somaram 280 anos de prisão e as multas chegaram a R$22 milhões.
Seria inevitável que vários conferencistas no seminário do ETCO mencionassem o mensalão, e que tais referências fossem incorporadas a este livro. Nem o evento nem a obra, porém, focam especificamente o mensalão. Se o julgamento é abordado nesta apresentação, é sobretudo pela coincidência, que não deixa de ter algo de simbólica. É sinal de que no país – seja no tribunal de Brasília, seja no auditório de São Paulo – é crescente a preocupação com o combate à corrupção.
Esta obra é baseada nas palestras apresentadas no seminário e nos debates que se seguiram. Não se trata de uma transcrição do que foi falado. O coloquialismo da linguagem oral, com suas redundâncias e vaivéns retóricos, em geral não se presta a ser lido no papel, onde não há o clima, os gestos e as entonações em que foi gerado. O que se lerá será uma adaptação dos trabalhos apresentados para a linguagem escrita.

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