Francisco Rüdiger – As Teorias Da Comunicação

Posted on Posted in Comunicação

A comunicação sabidamente desempenha um papel fundamental na sociedade: o homem não vive sem comunicação.
A capacidade de se relacionar coordenadamente com seus semelhantes representa para ele, desde os tempos primitivos, um elemento básico de sobrevivência e satisfação das necessidades, que há algumas décadas vem se tomando também um formidável campo de cuidado técnico e moral em nossa civilização.
Atualmente, a comunicação de fato está na ordem do dia: por toda a parte se fala dela e seus meios, seja em sentido positivo, como espécie de nova panaceia, seja por contraste, quando se visualiza na falta de entendimento um dos principais males da vida em sociedade.
A problemática da comunicação com os outros, da subjetividade cindida, sabemos hoje, é uma constitutiva da modernidade. O resultado disso é que a expressão, pouco a pouco, tomou-se fonte de reflexão no senso comum e em diversos ramos do conhecimento, passando a solicitar o esclarecimento conceituai de seu sentido e valor no contexto do pensamento contemporâneo.
O pequeno tratado que o leitor tem em mãos constitui, em síntese, uma espécie de curso básico de teoria da comunicação: trata-se de um texto escrito de forma didática, concebido como exercício de reconstrução dos fundamentos desse conceito, que se destina sobretudo àqueles que se iniciam neste campo de conhecimento.
A sistematização que se ensaia nestas páginas se furta ao juízo crítico, deixando-o para mais tarde, na medida em que este, a despeito de sua premente necessidade, constitui tarefa que pressupõe, antes de tudo, o esclarecimento conceituai de sua própria temática.
A comunicação constitui valorativamente um tema de importância consensual, cujo conteúdo, no entanto, está longe de ter sido esclarecido, quando se passa à sua definição teórica.
Em geral, a palavra tende a ser definida pelos meios, pelo uso e pelas aplicações: remete a uma multiplicidade de territórios raramente explicitada ou coerente entre si, servindo de passarela para diversas disciplinas, que tratam-na com enfoques na maioria das vezes divergentes, acentuados quando passamos das ciências humanas para as ciências naturais.
No limite, a expressão não designa mais nada, transformando-se em simples rótulo, posto em um campo de estudos multidisciplinar, para o qual convergem ou se confrontam os mais diversos projetos de pesquisa, mas do qual não se tem o conceito.

Deixe uma resposta