José Mauriene Araújo Felipe & Outros (Orgs.) – História, Meio Ambiente E Educação Ambiental

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Por mais que se planeje a concretização de um empreendimento, com requintes de detalhes, rigores de prazos e o suporte de aparatos tecnológicos, visando à gestão perfeita de processos até a sua concretização final, não há como se garantir cem por cento de sucesso segundo as exigências do planejamento inicial. A antecipação de confiabilidade irretocável é talvez o maior de todos os riscos. Na verdade, o devir de um projeto jamais se permite ser apreendido em sua totalidade, pois durante o fluxo inevitável de suas transformações (também ao longo de seu processo) nenhuma prática pode interromper os percursos de possibilidades de criação e recriação. Pensado de outra maneira: nenhum “todo” pode ser encorpado como o círculo o qual se deseja que se feche em torno de sua “completude”.
Quanto aos esforços no sentido de sua realização por completo, é bom ter em mente que os empreendimentos podem ser ou não concretizados. Com base nesse pressuposto de dupla face, infere-se que os projetos podem ser categorizados da seguinte maneira: os que são possíveis, os quase possíveis e os impossíveis de serem realizados de fato. Mesmo eliminando-se essa terceira categoria, ousa-se afirmar que todo planejamento humano é imperfeito e, portanto, sujeito a imprevisibilidades. Dito de outro modo: o que se planeja hoje com “absoluta” precisão para ser concretizado em um prazo pré-determinado sofre oscilações e/ou mudanças durante o seu percurso. Ao longo do trajeto de atividades diversas, ainda que nele seja pretendida a eficiência como ideal de zelo, quaisquer tarefas vão estar sempre sujeitas a imprevistos que se ocultam nos vãos perigosos da “razão pura”, viabilizando surpresas que podem abalar os que se dizem ser precavidos, em oposição àqueles tidos como sendo incautos.
A história da idealização deste livro, bem como de todo o processo de sua construção, parece-nos oportuna e apropriada para corroborar as proposições sobre imprevisibilidade introduzidas acima.
Pouco do que foi planejado de início permaneceu inalterado. As faces previamente rascunhadas foram sendo solapadas, dia após dia, até serem transformadas e/ou substituídas por outros desenhos faciais, novas ideias, outros caminhos que passaram a nos orientar rumo a novas paisagens. Mudanças de cenários, impacto de contextos inesperados e até a substituição de ferramentas técnicas por novos aparatos tecnológicos não faltou para repudiar o “obsoleto” e dar “boas vindas” ao devir: o que se pensou estar “pronto” para ser publicado teve de ser trabalho a partir da inclusão de novas perspectivas.

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