Fabrina Furtado & Outros – Economia Verde

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Nos anos do Pós – II Guerra o capitalismo lançou a Revolução Verde, nome bonito para significar o tsunami de mudanças tecnológicas introduzidas na produção agrícola – introdução de pesticidas, inseticidas e adubos químicos, mudanças genéticas nas plantas, pulverização aérea de agrotóxicos sobre as plantações, invenção de máquinas cada vez mais caras e sofisticadas para substituir o trabalho dos agricultores familiares, etc. Tudo isto aumentou o PIB dos países e do mundo. Em médio prazo, porém essas mudanças tiveram efeitos danosos sobre a saúde humana – dos produtores e dos consumidores –, a fertilidade do solo e as florestas.
Sem a precaução necessária, os insumos químicos agrícolas têm contaminado o ser humano e seu meio ambiente, proporcionando ao mesmo tempo fortunas para as empresas químicas privadas, e também a oportunidade de expansão acelerada da indústria farmacêutica, ambas usando fartos recursos recebidos dos fundos públicos.
A humanidade vive hoje outro ciclo parecido com o da Revolução Verde: o termo simpático e enganoso é Economia Verde.
Estamos diante de uma situação curiosa e, ao mesmo tempo, perigosa: depois de pouco mais de dois séculos de dominação capitalista sobre a vida social, o planeta Terra não suporta mais tanta depredação de recursos, destruição de biodiversidade e degradação do ambiente vital. E a maioria das pessoas que nele habitam igualmente já não suportam mais o grau de exploração e injustiça a que estão submetidas. Tanto esses setores populares quanto a mãe-natureza estão dando sinais de alerta: com essa velocidade crescente da produção e do consumo, com o cada vez mais próximo esgotamento do que a Natureza oferece, com o aprofundamento das desigualdades sociais e com o agravamento das ameaças climáticas, a humanidade pode chegar a guerras e até a auto-extinção.
Os sinais de que estamos perto de uma catástrofe se multiplicam, tanto no mundo natural como no social.
Tsunamis, secas e enchentes avassaladoras, assim como rebeliões em obras das hidrelétricas e de estádios, nos dão uma dimensão e nos evidenciam o esgotamento do modelo atual de sociedade.
O diagnóstico é claro. Só que as grandes empresas e bancos, e as elites que se beneficiam, têm negado que o problema existe e ameaça a humanidade. E continuam repetindo que “o mercado resolve tudo”. Há muitas décadas, essas elites tentam maquiar o fato de que só uma minoria da população do planeta ganha com o que elas definem como “desenvolvimento econômico”.

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