Lacan in North Armorica foi como resolvemos chamar as conferências e entrevistas dadas por Jacques Lacan, em 1976, nos Estados Unidos da América e que o leitor tem, agora e pela primeira vez, traduzido para o português.
Ele já havia estado por lá, em 1966 (em duas intervenções, às exposições de C. Morazé e L. Goldmann – 18/10 – e proferindo o famoso Discurso de Baltimore – 21/10) e, antes dele, a peste, sob o comando de Freud, já tinha tentando se alastrar pelo continente aproveitando as portas abertas da Clark University (Cinco Lições de Psicanálise, 1909).
Mas agora os tempos são outros. Não se trata mais de narrar uma história, com ares de catequese, para infiéis.
Não se trata mais, também, de introduzir conceitos basilares a um público embalado pela terceira grande paixão do ser.
Eles, em 1976, já sabem o que é o inconsciente e quais são suas relações com os sonhos, com os ditos espirituosos e com as parapraxias. Já sabem, também, que esse mesmo inconsciente é estruturado como uma linguagem e que ela/ele são, antes de mais nada e irredutivelmente, moebianos. Aliás, eles, e tantos outros, sabem muito, sabem tanto que tonaram-se não-tolos até seus últimos fios de cabelo e provocam, em Lacan e com outros fios – como se verá aqui – a procura de uma organização que ultrapasse TODA sabedoria. E essa procura se dará em cinco encontros – ou desencontros – nos EUA.
O primeiro deles, em 24 de Novembro, foi realizado na Yale University (Seminário Kanzer) e partindo de Joyce – daí o “nosso” North Armorica – e de sua eterna Aimée, chegará a pontuações surpreendentes como a transgressiva formulação de que a felicidade em viver é, em si mesma, um fim de análise suficiente.
Logo em seguida, e no mesmo dia, Lacan conversará com estudantes, ainda dentro de Yale, para dizer, com outras palavras e entre outras coisas, que, ele, só pode fazer o pior, que só pode, enfim, e em confronto com o discurso universitário, chegar a uma verdade semi-dita.

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